Hoje o tema são obrigações, para “variar” – Air Berlin

Tiago Esteves
Hoje, para variar um pouco (que é como quem diz, diversificar), decidi falar sobre uma obrigação bastante atraente de uma empresa que há poucos meses esteve em dificuldades: a Air Berlin.

Depois da recente aliança com a Etihad Airways, que garantiu um empréstimo de 300 milhões de euros à empresa alemã em troco de 8% de juro anual e de via aberta nas suas rotas, a Air Berlin voltou a erguer-se. Este empréstimo obrigacionista veio de facto trazer uma lufada de ar fresco à companhia aérea, resgatando-a pelo menos das dificuldades financeiras de médio prazo. A Air Berlin tem actualmente um risco de sofrer de dificuldades financeiras nos próximos 24 meses de 39,14%, o que está já em linha com o restante sector da aviação (39,09%) e muito abaixo da média das empresas portuguesas (a Portugal Telecom, para termos uma comparação próxima, tem 49,26% de probabilidade de sofrer de dificuldades financeiras nos próximos 24 meses).

Esta empresa que passou por dificuldades é quase uma ovelha negra na bolsa alemã, e isso repercute-se também no prémio das suas obrigações. Neste momento a Air Berlin está a oferecer uma YTM (basicamente é a taxa de juro realista e actualizada) de 7,15% até à maturidade das obrigações, em 2018. A haver uma correcção de médio prazo nas bolsas, poderá/deverá haver uma pressão compradora no mercado obrigacionista, o que poderá levar estas obrigações a valorizar no médio prazo.

Se isso não se verificar, e a menos que empresa entretanto vá à falência (o que na minha opinião é pouquíssimo provável, sobretudo porque seria uma mancha na reputação e na economia alemã), em 2018 todo o montante emprestado será devolvido aos obrigacionistas. Será certamente uma obrigação a manter debaixo de olho para os apreciadores deste instrumento. Ficam os ISIN de duas destas emissões (DE000AB100B4; XS1051719786).

Aprenda o essencial sobre o mercado obrigacionista, com o especialista Dinis Barbosa, no próximo Workshop de Introdução aos Mercados Financeiros.

Comment List

  • JJ 26 / 06 / 2014 Reply

    Parabéns Tiago por mais uma análise bastante interessante.
    Uma questão: onde pode consultar essas probabilidades de dificuldades financeiras?

    Obrigado e continuação de excelente trabalho!

  • DMNG 27 / 06 / 2014 Reply

    Tiago,

    Gostaria de acrescentar ao teu bom post, que as Obrigações DE000AB100B4, são Reverse Convertible, ou seja, o direito de exercer a conversão está no emitente.
    A existir valorização do activo subjacente (as acções da própria empresa) o emitente não exerce a opção pois está OTM; caso exista desvalorização, este fica ITM e exerce, e o subscritor recebe acções à cotação na data.
    Julgo ser uma informação pertinente a ter em conta para quem pretende analisar a possibilidade de compra.

    No outro caso XS1051719786, estamos perante uma Obrigação dita "Normal" – Fixed Interest, Corporate.

    Abraço,

  • Dário Gonçalves 27 / 06 / 2014 Reply

    Tiago,

    Gostaria de acrescentar ao teu bom post, que as Obrigações DE000AB100B4, são Reverse Convertible, ou seja, o direito de exercer a conversão está no emitente.
    A existir valorização do activo subjacente (as acções da própria empresa) o emitente não exerce a opção pois está OTM; caso exista desvalorização, este fica ITM e exerce, e o subscritor recebe acções à cotação na data.
    Julgo ser uma informação pertinente a ter em conta para quem pretende analisar a possibilidade de compra.

    No outro caso XS1051719786, estamos perante uma Obrigação dita "Normal" – Fixed Interest, Corporate.

    Abraço,

  • Tiago Esteves
    Tiago Esteves 27 / 06 / 2014 Reply

    Muito obrigado pelo complemento, Dario. De facto essa informação é extremamente importante e tinha-me escapado.

    Jj, qualquer site que calcule o z score dá essa informação. Mas geralmente é uma informação premium

  • Ivo Jesus 27 / 06 / 2014 Reply

    Bom dia Tiago,

    Antes de tudo obrigado pelo excelente blog que
    Tenho uma dúvida que pode impactar na rentabilidade da obrigação: em termos fiscais existirá uma dupla tributação sobre os juros?

    Creio que a parte fiscal é por vezes vezes ambígua ou mal interpretada… fica a sugestão para um post futuro.

    Continuação de um excelente dia e bons negócios.

    Ivo Jesus

  • Tiago Esteves
    Tiago Esteves 27 / 06 / 2014 Reply

    Dario,
    Fui confirmar a informação e, apesar de de facto alguns sites a identificarem como reverse convertible, no prospecto são classificadas como fixed. Pedi ao meu banco para me enviar um print da Bloomberg profissional e lá também estão classificadas como fixed.

    Ivo,
    A tributação neste caso é simples, igual à de Portugal

  • Anónimo 23 / 07 / 2014 Reply

    Boa tarde eu gostaria de saber se me poderia informar qual é na sua opinião um bom intermediário para transacionar/investir em obrigações. Obrigado. José.

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