Housers captou 2,7 ME em crowdfunding para projetos imobiliários em Portugal em 2018

Agência Lusa

Agência Lusa

, Notícias

A plataforma Housers, que permite que pequenos investidores possam ajudar a financiar um projeto imobiliário e receber juros por isso, captou 2,7 milhões de euros em ‘crowdfunding’ (financiamento colaborativo) em Portugal no ano passado.

Segundo revelou à Lusa João Távora, responsável pela implementação em Portugal da plataforma, com origem em Espanha, para este ano a Housers estima captar quatro milhões de euros de investimento no mercado nacional.

“Quando viemos em outubro de 2017 para montar a Housers tínhamos uma expectativa um pouco mais baixa, mas felizmente conseguimos atingir cinco milhões de euros já captados em Portugal [desde essa altura], o que para nós foi uma surpresa. Alcançamos mais de 13 mil pessoas inscritas na plataforma”, adiantou o responsável.

A Housers trabalha com “os investidores individuais e os promotores que usam a plataforma como fonte de investimento, em vez de ir ao banco. Permitimos a um investidor entrar num projeto imobiliário, em que à partida não conseguiria, porque não tem 50 ou 100 mil euros”, para aplicar. O mínimo para ajudar a financiar um projeto é de 50 euros, de acordo com João Távora.

Paralelamente, a plataforma tem como clientes os promotores imobiliários, que podem assim obter financiamento para os seus projetos de uma forma alternativa aos empréstimos bancários.

João Távora assegura que este investimento está em linha com os mais tradicionais na área imobiliária.

“É um investimento de risco tal como qualquer outro no setor imobiliário. Nós não anulamos o risco do setor, só ajudamos a entrar, analisamos o projeto, damos informação credível e um ‘scoring’ [análise de risco] desde AAA até C”, à imagem do que fazem as agências de ‘rating’, referiu.

A plataforma cobra comissões sobre o valor arrecadado e sobre os juros que os investidores ganham com o projeto e tem mecanismos instalados caso os empreendimentos não avancem, ou sofram algum problema no seu desenvolvimento.

De acordo com João Távora, o dinheiro fica “bloqueado” na conta do investidor, mas só sai caso o projeto avance. E se o promotor não devolver o dinheiro ou falhar no pagamento de juros, os investidores são convocados para uma assembleia ‘online’ onde podem decidir renegociar ou avançar para uma empresa de recuperação de créditos. São também aplicados juros de mora, explicou.

A plataforma apareceu em Espanha em finais de 2015 e intensificou a sua atividade no início de 2016.

“Foram dois amigos que arranjaram uma propriedade e decidiram construir um imóvel para no futuro vender, mas não tinham dinheiro suficiente e conseguiram que uns amigos investissem”, contou o responsável.

O projeto correu bem e pouco depois os fundadores já tinham mais investidores interessados do que o necessário, por isso, segundo João Távora, resolveram lançar a plataforma no mercado espanhol. Em 2017 alargaram o negócio a Itália e Portugal.

O grupo obteve um investimento global de 34 milhões de euros no ano passado e uma faturação de 2,9 milhões de euros. Trabalham na Housers aproximadamente 40 pessoas, a maioria em Espanha, onde está a estrutura central.

Em Portugal, para o futuro, João Távora diz que a sua prioridade é entrar “em projetos maiores” e avançar para o segmento dos escritórios ou mesmo dos painéis solares, que o responsável também considera estar integrado no ramo imobiliário.

O crédito ao consumo, nomeadamente para quem quer comprar uma casa e precisa de ajuda para a entrada, também pode estar no futuro da Housers, de acordo com João Távora.

A plataforma está ainda a analisar a expansão para outros países na Europa e fora do espaço europeu.

ALYN // EA

Lusa/Fim

Deixe uma resposta