Ibersol tem potencial de valorização de 43% – Análise de Valor

Guilherme Neves

Neste artigo farei uma atualização à primeira empresa por mim analisada no “Surfar a Tendência”, a Ibersol. À primeira impressão, fica claro ao fim destes 9 meses de 2017 que mesmo com a turbulência na Catalunha a castigar a ação, a mesma se encontra a claro desconto face ao seu valor intrínseco. Os objetivos de geração de fluxo de caixa então previstos por mim estão completamente assegurados (a empresa em 9 meses libertou, após investimentos de expansão e juros, mais de 32 milhões de euros em free cash flow – 30 milhões de redução da dívida liquida e 2.1 milhões de euros distribuídos em dividendos).

Imagem 1: demonstração de fluxos de caixa da Ibersol

Este objetivo compara com os 21 milhões projetados que incluíam uma dotação de 10 milhões relativa a concursos de aeroportos, que após os concursos dos aeroportos de Gran Canária e Madrid (nos quais a subsidiária EOG Travel ganhou a concessão de 7 espaços de restauração, 6 dos quais em Gran Canária e 1 em Madrid) foi possível perceber que nos concursos da Aena existe apenas um pagamento de rendas fixas e de uma percentagem variável em função das receitas. Nos próximos meses irá ser conhecido o resultado relativo aos aeroportos de Barcelona (onde a Ibersol atualmente tem 29 espaços) e Málaga (onde não tem atualmente presença).

Em termos de resultados (cujo valor já se sabia neste terceiro trimestre deixar de ter um comparativo do ano anterior com IVA a 23%) podemos concluir que sem EOG nos 9 meses do ano o EBITDA cresceu cerca de 4.5 milhões de euros. O resultado antes de imposto caiu 0.5 milhões de euros devido a alteração contabilística na depreciação de edifícios mencionada na apresentação inicial (que reduz a matéria tributável) mas não tem impacto no cash flow, como se verifica pelos dados apresentados acima. A EOG foi aliás uma surpresa muito agradável, contribuindo antes de impostos com cerca de 6 milhões de euros.

Este valor compara com uma expectativa de resultados no ano de cerca de 27 milhões de euros, valor que será confirmado no final do ano dado faltarem apenas 5 milhões de euros para o mesmo. Se é verdade que a EOG pode sofrer pela crise catalã nos seus restaurantes de rua em Barcelona, no que concerne aos instalados em aeroportos, verificaram-se já durante Outubro e Novembro crescimentos muito interessantes em toda a rede (tendo até Barcelona crescido 3.9% em Outubro, 5% em Novembro e 6.4% em Dezembro), pelo que atendendo às notícias o impacto da questão catalã pode ser menor que o esperado, com a atividade aeroportuária a poder compensar as lojas de rua.

Imagem 2: DR da Ibersol

Estes factos, conjuntamente com o update dos dados financeiros, feito abaixo, levam a que a avaliação da empresa seja aumentada para 17.19 euros por ação, o que lhe confere um upside de 43% face ao valor actual de mercado. Espera-se que em 2019 a empresa esteja livre de dívida, e possa então aumentar o payout para 100% ou perseguir novas oportunidades inorgânicas, sendo um ponto extremamente interessante a capacidade de crescimento do negócio de modo rentável que o duo que gere a empresa tem mostrado.

Imagem 3: dados da valuation da Ibersol Atualizados

Imagem 4: Valuation da Ibersol

Facilmente se percebe pelo raciocínio exposto que a Ibersol, cuja cotação está no mesmo patamar relativamente à qual eu analisei há cerca de 3 meses, é hoje em dia uma empresa com perspetivas de crescimento interessantes, destacando-se a free cash flow yield estimada para 2018, o seu reduzido endividamento e o momento operacional positivo que vive.

Não deixa de ser curioso que a F. Ramada (clique para ver análise), que apresenta atualmente indicadores comparativos muito piores (nomeadamente com metade do lucro e uma geração de caixa miserável no YTD), valha apenas 20% menos que a Ibersol. Considerando todos os fatores acima mencionados, e que esta última tem cerca de 10% de ações próprias, torna-se evidente em qual das empresas faz sentido investir de um ponto de vista de Value Investor.

 

Lista de Comentários

  • COL 23 / 01 / 2018 Reply

    Sem contestar o bem fundado da analise aqui apresentada ha um aspecto que me deixa perplexo: a baixissima liquidez da IBERSOL. Volume de transações situa-se frequentemente abaixo das 10000 acções. Porquê?

  • Guilherme Neves 24 / 01 / 2018 Reply

    COL,
    o facto da baixa liquidez deriva da estrutura acionista da empresa em 54% é do duo de gestores, 10% de ações próprias e o resto está repartido entre fundos com posições grandes no capital da empresa, genericamente de longo prazo, Bestiver, Fidelity, fundos espanhois de investimento em valor, norges bank etc. A questão que se poe, é a seguinte, se o desconto no preço mais que compensa a iliquidez? que no caso de um particular não é assim tão relevante, mesmo que queiras vender vamos supor 2500 ações disto num dia vendes num range de 5% que foi o desconto de iliquidez que apliquei na avaliação. Quanto á questao eu considero que mais que compensa pois não há nesta fase do mercado empresas com uma free cash flow yield que esta tem num negocio em crescimento, em Portugal não há a não ser a estoril sol mas que tem ainda menos liquidez e a questão da concessão em 2020

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