Investidor português dono de 2% do DIA afasta cedência de posição

Agência Lusa

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O português que tem 2% do grupo de supermercados DIA, Luís Amaral, revelou hoje que não irá à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo milionário russo Mikhail Fridman, considerando inadequado o preço oferecido de 0,67 euros por ação.

Luís Amaral, que detém a posição no grupo através da empresa Western Gate, anunciou em comunicado que “continua a acreditar no valor do DIA e que o preço de 0,67 euros por ação não reflete adequadamente o valor da companhia” e, assim, confirma que não venderá as suas ações.

A posição do português junta-se a outros acionistas de referência, como a Naturinvest, que detém 3,261% e dificulta ainda mais as pretensões de Mikhail Fridman de vir a controlar o grupo DIA.

A Western Gate considera que “a falta de clareza” de LetterOne, empresa de Fridman, sobre o futuro da companhia “está a produzir um efeito negativo em todas as partes interessadas e contribui para a deterioração da empresa”.

Apesar disso, a Western Gate de Luís Amaral afirma que está ciente de que o sucesso da oferta e o consequente aumento de capital constituem uma opção para que o Dia, que detém o Minipreço em Portugal, recupere a sua “credibilidade e solidez” financeira, esperando trabalhar de forma construtiva com a LetterOne para contribuir para a mudança de direção da empresa.

O Conselho de Administração do Grupo DIA recomendou em 10 de abril último aos acionistas da empresa que aceitem a OPA lançada por Mikhail Fridman, por entender que “esta é a melhor alternativa”.

Os administradores da empresa aprovaram por “unanimidade” esta posição em relação ao projeto do principal acionista, Mikhail Fridman, que, através da LetterOne, detém mais de 29% do capital do grupo espanhol.

A assembleia-geral de acionistas do grupo já tinha, em 20 de março último, em Madrid, aceitado a estratégia do milionário russo para tentar salvar a empresa da falência.

O projeto do investidor russo prevê uma recapitalização de 500 milhões de euros da cadeia de supermercados, condicionada ao êxito da OPA lançada e de um acordo com a banca credora para alargar os prazos de vencimento da dívida do grupo.

O atual Conselho de Administração do DIA não conseguiu na altura levar para a frente a sua proposta de realizar uma “operação harmónio”, que se traduzia numa redução de capital inicial para, posteriormente, proceder ao aumento de capital de 600 milhões de euros.

O grupo DIA, que celebra o seu 40.º aniversário este ano, tem atualmente uma rede de mais de 6.100 lojas e mais de 43.000 trabalhadores espalhados por Espanha, Portugal (Minipreço), Brasil e Argentina.

As vendas do grupo têm vindo a cair nos últimos três anos – passaram de 9.000 milhões de euros em 2015 para 7.288 milhões em 2018 –, devido, entre outros fatores, ao aumento da concorrência em Espanha, onde passou da segunda para a terceira posição em termos de quota de mercado.

O seu lucro também registou uma tendência de queda nos últimos anos até registar 352 milhões de euros de perdas no ano passado.

Cada ação da empresa era comprada há um ano a 3,5 euros, tendo caído em seguida, durante a maior parte de 2018, com o “colapso” a ocorrer em outubro último (num só dia perdeu 42%), quando foi anunciado o agravamento das previsões para o ano passado e adotados uma série de ajustes para o exercício de 2017.

O colapso sofrido fez com que a empresa fosse excluída do mercado bolsista de Madrid IBEX 35 no final de dezembro de 2018.

Em Portugal a empresa tinha no final do ano passado 223 estabelecimentos próprios e 309 franchisados com as marcas Minipreço, Mais Perto e Clarel.

FPB // JPS

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