Investir em Obrigações (Parte I)

Tiago Esteves
As obrigações são um produto financeiro de baixo/médio risco que eu não dispenso na minha carteira de investimento. A diversificação é um aspecto fundamental na gestão de um portfolio e alocar uma percentagem do valor da carteira em obrigações acaba por revelar-se muitas vezes uma escolha acertada. A percentagem a alocar varia com o perfil de risco do investidor e com a realidade da economia. Pegando no meu caso concreto, neste momento tenho cerca de 40% da minha carteira em obrigações, percentagem que diminui bastante em momentos de menor incerteza económica
Visto ser este um produto pouco conhecido pela maior parte dos pequenos investidores, reuni os aspectos práticos que me parecem mais importantes no que diz respeito a este produto.


1: O que são obrigações?
De uma forma muito simplista e resumida, as obrigações representam um pedido de empréstimo por parte de uma empresa ou Estado ao mercado. Dentro deste conceito de mercado estão englobados todos os investidores particulares que queiram emprestar dinheiro a uma determinada empresa/Estado, a uma determinada taxa.

2: Qual é o interesse das empresas em emitir obrigações?
Quem emite obrigações fá-lo porque geralmente lhe fica mais barato do que pedindo o dinheiro à Banca. Para exemplificar, peguemos no caso concreto da SAD do Benfica. A sua história e o seu património imaterial de pouco serviriam junto à Banca enquanto argumentos de solidez, que apenas se focaria na sua relação entre activos/passivos, etc. Pedindo dinheiro emprestado aos pequenos investidores, estes investidores terão um juízo muito mais abstracto relativamente à solidez da empresa, exigindo uma taxa em troca do dinheiro emprestado muito inferior à que seria exigida por uma instituição financeira. Este factor leva as empresas a, muitas vezes, lançarem operações publicitárias antes da emissão de obrigações (acredito que a REN deverá lançar em breve obrigações, isso explicaria a publicidade a que temos assistido).

3: E como posso negociar obrigações?
Geralmente as obrigações são negociadas por um intermediário financeiro. Vários bancos as negoceiam (BPI, BES, Banif, etc). Quando existe uma emissão, é feita uma subscrição inicial. A ZON emitiu obrigações de 1000 euros por unidade. Se eu quiser subscrever 10.000 euros vou dar indicação ao meu banco para subscrever 10 obrigações. E fico, na prática, com essas 10 obrigações? Depende. Continuando neste exemplo concreto, a ZON vai emitir 200 ME em obrigações. Se houver 400 ME subscritos, não vamos ter obrigações para toda a gente, pelo que terá de ser feito um rateio. E neste caso ficaria com apenas 5 obrigações em vez das 10. Se, pelo contrário, forem subscritos apenas 50 ME, então eu iria ver o meu pedido totalmente satisfeito, ficando com as 10 obrigações.

4: Assim sendo, devemos subscrever sempre um valor superior ao que
desejamos?

Depende. Eu, pessoalmente, não o faço a menos que seja uma oferta
irrecusável associada a uma emissão de pequeno valor. Na prática muita gente fá-lo e os
próprios bancos recomendam-no muitas vezes. Alguns recomendam subscrever o
dobro do que desejamos na prática, o que pode ser proveitoso para quem está
atento. Continuemos a analisar o exemplo da ZON (só estou a insistir na ZON por
ser uma situação muito publicitada ultimamente, qualquer outro exemplo
serviria). A oferta inicial era para 100 ME, passando para 200 ME a meio do
processo. É muito dinheiro… Estou piamente convencido que a subscrição não
ultrapassará por 7-8 vezes o valor emitido, como por vezes se vê. O meu palpite
vai para uma subscrição tangente ou, quando muito, 1,5x. E, se isto acontecer,
significa que muitas pessoas vão investir o dobro do que desejavam.

(Amanhã publico o resto)

Comment List

  • Anabela 10 / 02 / 2014 Reply

    Boa noite Tiago.
    Gostaria que me esclarecesse a seguinte duvida se possivel:
    Adquiri 5000€ em obrigações ZOn "ao par" que neste momento estão a 104.25%,
    Aconselha-me a esperar até á maturidade, a junho de 2015 ou a desfazer-me delas no imediato?

    Obrigado pela resposta.

    Anabela A.

  • Tiago Esteves
    Tiago Esteves 10 / 02 / 2014 Reply

    Olá Anabela,
    Essa é uma decisão muito pessoal, cuja resposta dependerá da constituição da sua carteira e da necessidade de capital. Pessoalmente encontro-me na mesma situação e pretendo mante-las, como instrumento de diversificação a outros de maior risco que constituem a minha carteira. Faça as contas, se achar que consegue uma taxa de juro superior até à maturidade em outro produto venda. Senão deixe-se ficar, continua com uma taxa mais rentável do que num depósito a prazo

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