A Jerónimo Martins preocupa-me

Tiago Esteves

A Jerónimo Martins não é um título que eu goste de negociar através de análise técnica, sobretudo porque tende a desrespeitar pontos-chave. Ainda assim, é comum apresentar um comportamento macroscópico estruturado, trazendo desta forma alguma ordem ao caos.

Algo que este título tende a fazer rotineiramente são falsos breakouts, sem que a projecção dos padrões que lhe deram origem seja atingida. Porém, o que raramente falha é a inversão de tendência quando os seus pontos-chave são quebrados. Mesmo quando, como referi, logo após um breakout ascendente ou descendente o título volte a recuperar (temporariamente mas de forma convincente) o ponto perdido. Ora, é precisamente por isso que estou preocupado, porque me parece que o título pode estar a replicar alguns dos comportamentos que deram origem à grande inversão de 2013. Talvez esteja a ser demasiadamente zeloso, mas prefiro deixar esta visão potencial, e pedir depois a quem lê que trace um juízo crítico relativamente ao valor ou falta dele desses sinais.

Para facilitar o seguimento do raciocínio, identifiquei no gráfico cada um dos 4 sinais de preocupação com letras do alfabeto, consoante a sua ordem de surgimento

A – Em Julho passado, o título deu o primeiro sinal de alerta, com a activação de um padrão de inversão. A activação aconteceu com um pico de volume, e a projecção foi rapidamente atingida.

B – O primeiro grande sinal de preocupação surgiu em Outubro do ano passado, quando um suporte que eu considerava vital para o longo prazo foi comprometido. A verdade é que não tardou a ser recuperado, mas o volume a acompanhar essa quebra foi uma vez mais importante, e acabou por gerar um enfraquecimento técnico substancial.

C – Apesar da boa recuperação após ter perdido o seu ponto-chave, o título falhou na prova mais desafiante: A ultrapassagem em alta dos máximos relativos de médio prazo. Este era um sinal que se impunha para que os pontos negativos anteriormente mencionados ficassem esquecidos. E não aconteceu. A adicionar, o volume no ataque a esse ponto foi baixíssimo

D – Last but not least, o título quebrou uma vez mais com estrondo o ponto de activação de um padrão de inversão, tendo atingido desta vez a projecção do padrão em três dias (tinha demorado 2 meses e meio a fazê-lo aquando do sinal A. O volume foi neste caso extremamente elevado quando comparado com o volume médio habitual de negociação.

 

Ora, tudo isto somado, compreender-se-à mais facilmente agora de onde vem a minha preocupação. Será algo irreversível? Dada a imprevisibilidade do título, não me arrisco a dizer. Mas não tenho dúvidas em afirmar que neste momento os sinais negativos superam largamente os positivos.

Jerónimo Martins

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