Jovens que recebem educação financeira na escola gerem melhor os recursos económicos

Agência Lusa

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Crianças e jovens que recebem educação financeira na escola tomam decisões mais adequadas na gestão dos recursos económicos e conseguem identificar mais facilmente “o que é essencial do que é supérfluo”, indica um estudo da Universidade do Porto.

Este estudo, encomendado pela Área Metropolitana do Porto (AMP), tem como objetivo avaliar o impacto social na vida das crianças e dos jovens que participam do “No Poupar Está o Ganho!”, um projeto que visa ajudá-los a tomar decisões financeiramente corretas, criar consumidores informados e incluir a educação financeira nos projetos educativos.

O projeto “No Poupar Está o Ganho!”, iniciado em 2010 pela Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, sediada no Porto, leva anualmente a literacia financeira a crianças e jovens do primeiro, segundo e terceiro ciclos do Ensino Básico e Secundário, com grande incidência na região do Porto e Norte.

A primeira conclusão deste estudo, desenvolvido pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), “é que o programa funciona e tem um impacto social positivo a vários níveis junto das crianças”, referiu o professor Rui Serôdio.

De acordo com o coordenador do estudo, a educação financeira torna os jovens “mais capazes” de identificar e tomar decisões adequadas, em diferentes dilemas presentes na gestão quotidiana dos recursos financeiros, como, por exemplo, “abdicar da aquisição de um bem porque este é mais desejado do que é necessário ou é de duração efémera”.

O professor salientou igualmente as mudanças registadas na identificação das diferentes alternativas por parte dos jovens para a resolução de um problema familiar que requer dinheiro imprevisto, escolhendo, entre elas, as mais adequadas.

As crianças que participaram no projeto passaram a “expressar emoções mais positivas face a expetativas pessoais que não se realizam devido à necessidade de gestão dos recursos familiares”, e também “maior compreensão e empatia” relativamente a decisões dos pais sobre esses recursos, acrescentou Rui Serôdio.

A par disso, continuou, são também capazes de identificar e distinguir melhor uma necessidade de um desejo e o essencial e do supérfluo.

Para o coordenador do estudo, projetos como o “No Poupar Está o Ganho!” são fundamentais para promover a cidadania e a educação financeira junto dos jovens, incentivando-os a pensar sobre poupanças, impostos e seguros, entre outros.

“Muitas vezes parece que é um tabu falar sobre dinheiro com as crianças, porque não queremos que elas se preocupem, mas do ponto de vista do desenvolvimento isso é um erro”, indicou, acrescentando que, em determinada altura, é necessário discutir essas questões para que as mesmas possam aprender a tomar decisões mais acertadas.

Rui Serôdio acredita que é importante os jovens estarem informados sobre as escolhas que podem que fazer, as alternativas para a poupança ou sobre a aquisição de bens em função dos recursos, visto que essas decisões “têm consequências para o indivíduo mas também para a sociedade e isso é algo que mesmo os adultos às vezes não têm noção”.

Neste estudo participaram 2309 crianças e jovens, distribuídos por um grupo experimental e um grupo de controlo (com crianças que não foram abrangidas pelo programa de educação financeira), e quase dois mil pais, que “também conseguiram perceber alterações no comportamento dos seus filhos”.

Os jovens foram avaliados nas salas de aulas, em duas fases: através de um pré-teste, no início do ano letivo, e de um pós-teste, antes de acabarem as aulas.

“Após serem expostos ao programa de literacia financeira, os pais inquiridos afirmaram que as crianças estão mais conscientes, preparadas, motivadas e curiosas relativamente à gestão quotidiana do dinheiro da família”, disse ainda Rui Serôdio.

A iniciativa “No Poupar Está o Ganho!” tem como parceiros a Universidade do Porto, através da Faculdade de Economia (FEP), e o Banco de Portugal, e desenvolve-se ao longo de todo o ano letivo.

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