Mais de 800 empresários e governantes discutem globalização em Cascais em abril

Agência Lusa

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O Horasis Global Meeting, encontro que junta empresários, governantes e especialistas, decorre pela quarta vez em Cascais em abril, este ano para discutir a globalização, reunindo mais de 800 personalidades mundiais de 70 países, segundo a organização.

“Mais de 800 presidentes executivos e representantes de governos estarão reunidos para juntos inspirarem o futuro. Um futuro baseado no planeamento a longo prazo”, explicou à agência Lusa o líder desta organização internacional, Frank-Jurgen Richter.

“Este ano, políticos e líderes empresariais vão reunir-se para debater e promover políticas que possam dar origem a uma forma mais justa de globalização, capaz de estimular e sustentar o desenvolvimento económico global em benefício de todos os segmentos da sociedade”, adiantou.

Pela quarta vez consecutiva, o Horasis Global Meeting decorre em Cascais, entre 06 e 09 de abril, para discutir a globalização.

Além do primeiro-ministro, António Costa, e de vários ministros do executivo português, marcarão presença no evento o comissário europeu português Carlos Moedas, além de outros governantes mundiais, presidentes executivos e representantes de empresas de renome à escala global.

Entre os nomes dos empresários confirmados constam Durão Barroso, atual presidente do banco Goldman Sachs International e ex-presidente da Comissão Europeia.

“Precisamos de mais diálogo e cooperação. E temos de inspirar em conjunto o futuro”, frisou Frank-Jurgen Richter, adiantando que “um profundo ressentimento da globalização está atualmente a fervilhar em todo o mundo, exemplificado pelo movimento dos ‘coletes amarelos’ em França”, e que “grande parte do mundo considera que fracassou na globalização”.

O presidente da Horasis adiantou que, ao longo dos quatro dias do evento, haverá palestras e debates sobre temas como desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, criptomoedas, uma próxima crise financeira, tecnologias imersivas, diversidade no local de trabalho, a quarta revolução industrial, a pós-era da verdade, como travar o assédio sexual, modelar a migração sustentável e a tecnologia ‘blockchain’, que permite guardar dados de forma descentralizada e privada.

Em declarações à Lusa, Frank Jurgen-Richter antecipou que está em formação uma crise económica global que “será muito pior do que a de 2008” e que será desencadeada pelo ‘Brexit’ e pela guerra comercial EUA-China.

No entender do presidente da Horasis, existem “três razões pelas quais a próxima crise será muito pior do que a crise de 2008”.

Em primeiro lugar, “a escalada do nacionalismo e do isolacionismo conduzirá a uma menor cooperação entre as nações” do que se verificou em 2008.

Um segundo aspeto prende-se com a China, que, na recessão de 2008, “permaneceu relativamente ilesa”, o que “já não é o caso”.

E, por último, Jurgen-Richter apontou a “falta geral de liderança nacional, regional e global”.

Questionado sobre quais as principais mensagens que, se pudesse, transmitiria aos líderes mundiais, o fundador e presidente da Horasis indicou três pontos: “quebrar o ciclo de curto prazo, nacionalismo e populismo, fortalecer as instituições multinacionais e criar novos sistemas de bem-estar social, porque os sistemas atuais com origem na Revolução Industrial, não acompanharam a globalização”.

ECR // CSJ

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