Manter a dívida da PT em carteira poderá já não compensar

Tiago Esteves
No final do ano passado chamei a atenção para a dívida que a PT assumiu em 2012, e cuja titularidade passou para a OI aquando da negociata com esta operadora. Na altura contava com uma forte desvalorização, e na minha opinião o mercado tenderia a compensar esse valor caso o default não acontecesse. Recordo que estamos a falar da emissão que vence em Julho deste ano. Ora, o que há pouco tempo atrás representava uma Yield de 25%, está já bem longe desse marco. A cotação da obrigação recuperou cerca de 10% no espaço de 2 meses, e está agora muito próxima da paridade. Dada a aproximação aos 100%, resta contar com o cupão de 6,25%, que sendo interessante não está isento de riscos. Até à maturidade, temos agora uma
rentabilidade máxima que ronda os 2,5% brutos. Demasiado baixo, face aos riscos
que ainda existem.

Emissões com maturidade mais dilatada, para já nem pensar. A OI continua com dificuldades, e a Standard & Poor’s voltou esta semana a fazer downgrade à sua dívida. Está já 3 níveis abaixo do nível especulativo. É certo que o montante necessário para pagar esta emissão em particular está já cativo, mas mesmo neste caso nunca podemos descartar um pedido de protecção contra credores até que o pagamento seja efectivamente confirmado.

Quero com isto dizer que, dada a aproximação à paridade, deixa de me parecer interessante manter esta nota de dívida em carteira. O grosso do grande risco da OI surge agora na aproximação a Março, e pessoalmente já não acho compensatório ficar por dentro a observar. Deixo o calendário de compromissos da OI, para permitir uma análise mais fina a quem continue interessado na dívida desta empresa.

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