Moeda angolana encerra semana em novos mínimos históricos face ao euro

Agência Lusa

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A moeda angolana encerrou sexta-feira uma semana negativa em relação à europeia, em que, após cerca de dois meses estabilidade, foi sucessivamente batendo os mínimos históricos, indicam hoje dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

Depois de ter iniciado o ano a valer 354 kwanzas/euro, a moeda angolana bateu os mínimos a 08 deste mês, transacionando-se a 355,737 kwanzas/euro, para sexta-feira encerrar a sessão semanal nos 359,237 kwanzas/euro, aproximando-se de uma depreciação de 50% em apenas um ano, atingindo históricos 48,93%.

A 09 de janeiro do ano passado, dia em que começaram as vendas de divisas em leilão aos bancos comerciais, primeiro trissemanais e atualmente diárias, a moeda angolana transacionava-se, então, a 185,40 kwanzas/euro.

Nos últimos dois meses, a moeda angolana manteve-se praticamente estável face ao euro, variando entre os 350 e 354 kwanzas/euro, depois de ter atingido o “pico” de 355,047 kwanzas/euro a 20 de novembro de 2018.

Em relação à moeda norte-americana, a angolana mantém a tendência de estabilidade, embora se tenha depreciado ligeiramente face à cotação do início da semana, quando se vendia a 310,473 kwanzas/dólar, tendo fechado esta semana nos 311,811 kwanzas/dólar, ainda longe do “pico” de 315 kwanzas atingido em novembro.

Desta forma, e tendo em conta o dia em que começaram as vendas de divisas em leilão à banca comercial em Angola, a moeda angolana depreciou-se face ao dólar 46,805% num ano. A 09 de janeiro de 2018, transacionava-se a 165,92 kwanzas/dólar.

No mercado paralelo, o euro está a transacionar-se entre os 450 e 470 kwanzas, enquanto o dólar se troca entre os 400 e 410 kwanzas.

A 02 deste mês, o BNA indicou que vai disponibilizar em janeiro 700 milhões de dólares (610 milhões de euros) em moeda estrangeira aos bancos comerciais, mantendo a frequência diária de leilões de preços na venda de divisas.

No primeiro comunicado de 2019, o banco central angolano referiu que a venda de divisas se destina a garantir os “plafonds” para cartas de crédito, a liquidação de cartas de crédito e o atendimento às casas de cambio e às operadoras de remessas.

Acabadas as sessões de venda trissemanais de divisas em leilão aos bancos comerciais, iniciadas a 09 de janeiro de 2018, o BNA está desde 01 de novembro de 2018 a proceder a operações diárias, tendo, em dezembro colocado no mercado primário 1.450 milhões de dólares (1.260 milhões de euros).

Até então, a tendência de estabilidade do kwanza foi explicada à agência Lusa a 02 de dezembro de 2018 pelo administrador do banco central angolano Pedro Castro e Silva, que garantiu que a pressão sobre as divisas em Angola “terminou”, após as medidas que geraram uma maior previsibilidade no mercado cambial e de uma melhor comunicação com os bancos comerciais.

Segundo Castro e Silva, o BNA já consegue atender ao que os bancos comerciais pedem em divisas, o que tem “estabilizado” a moeda.

Castro e Silva disse acreditar que, nos próximos tempos, a tendência será a de Angola entrar numa fase em que a moeda nacional “vai assumir comportamentos como se veem nas outras moedas”, com movimentos de depreciação, quando a procura for maior que a oferta, e de apreciação, quando suceder o contrário.

“As medidas tomadas geraram previsibilidade e uma maior comunicação com os bancos comerciais, o que acabou por gerar um efeito positivo. Os bancos hoje sabem que, se não comprarem segunda-feira, têm mais quatro sessões de leilões do BNA. Esta pressão sobre as nossas divisas terminou e o facto de o BNA estar a atender justamente àquilo que os bancos estão a procurar tem contribuído para que a taxa de câmbio se encontre mais estável”, referiu.

“Desde o início do ano que o banco central assumiu o compromisso de fazer um ajustamento cambial. Esse compromisso incluía a depreciação da moeda nacional, para que refletisse fielmente a relação que existe entre a procura e a oferta. Tivemos maiores depreciações da moeda nacional porque, nessa altura, o desequilíbrio era mais acentuado entre a procura e a oferta”, explicou.

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