Os dividendos, o aumento de capital e a queda da REN

Tiago Esteves

Apesar de ter salientado recentemente o meu interesse na REN, a actual situação deixa claro que tão cedo não será provável que venha a testar uma entrada nos próximos meses. O anunciado aumento de capital era de montante total já previamente conhecido, mas veio ainda assim lançar alguns receios sob os investidores. O problema parece-me simples e assente em dois pontos. Em primeiro lugar, a capacidade de manter o dividendo no actual nível não faz grande sentido (apesar de provavelmente se vir a confirmar). Qual é o sentido de manter um pagamento de dividendos para de seguida se fazer um aumento de capital, voltando a solicitar esse dinheiro aos accionistas? Se para os grandes players a diferença prática é pequena, os pequenos perdem pelo caminho uma significativa taxa para o estado na forma de impostos. Enfim, é uma prática frequente no nosso mercado.

O segundo receio passa pelo potencial de pressão sobre o preço no médio prazo. Já disse imensas vezes e em diferentes ocasiões que um aumento de capital pressiona o preço no sentido descendente em 90% dos casos, e ainda mais aumenta essa probabilidade quando temos uma diluição importante. Não quero com isto dizer que não se encontrem boas oportunidades em aumentos de capital, pelo contrário! Quase sempre se conseguem ganhos via arbitragem, e num título com uma volatilidade tão baixa como a REN os riscos associados ao processo serão próximos de zero (se tiver oportunidade falarei sobre isso quando se souberem mais detalhes relativamente ao AC). E, ressalve-se, não quero também dizer que a REN deixou de me interessar. Só tendo a afastar-me de qualquer título em períodos mais conturbados e incertos, regressando ao “ataque” após a poeira assentar.

Antes de o preço ser totalmente adulterado pelo ajuste pós separação dos direitos, olhemos uma vez mais para o gráfico. O título caiu hoje 3%, algo raro pela extensão. Pelo caminho quebrou-se um importante suporte, e o próximo ponto de paragem está agora nos 2,5€. Já em termos de resistências, a referência está no máximo relativo dos 2,73€. Contudo, para já, será pouco realista esperar que o preço consiga regressar em breve a esse ponto.

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