O interesse do indivíduo é a riqueza do país

Cristiano Santos

Existe um país soberano e democrático, onde a imprensa se queixa que a sua liberdade tem sido posta em causa. O governo foi acusado por diversos órgãos de comunicação social de escolher e filtrar perguntas, antes das conferências de imprensa, sobre a pandemia e rejeitar outras. Tem havido inclusive boicotes da comunicação social às conferências de imprensa do governo. Nesse mesmo país, o Facebook está a proceder a uma investigação sobre centenas de contas falsas abertas a elogiar o governo em inúmeras publicações nas redes sociais. Nesse mesmo país, os bancos nacionais foram avisados por bancos suíços e luxemburgueses que estão a ocorrer massivas transferências (fugas) de capital.

O país acima mencionado não é o Brasil de Bolsonaro, nem os EUA de Trump. Por incrível que pareça o país acima referido é o nosso vizinho, a nossa única fronteira terrestre, e o maior parceiro comercial. O país acima referido, como já devem ter concluído, é a Espanha. Curioso como notícias desta gravidade têm muita dificuldade em gerar interesse por parte das nossas televisões, e Espanha está aqui tão perto, mas notícias menos boas do outro lado do atlântico chegam tão rapidamente. Será pela amálgama ideológica do governo espanhol?

Em Espanha, governa o Partido Socialista espanhol (PSOE) em coligação com o Bloco de Esquerda espanhol (Podemos). Tal acontecimento é uma novidade no país vizinho e os resultados estão à vista. Começou logo com a gestão da pandemia do coronavírus, sendo Espanha um dos piores países do mundo. Em Março, já a pandemia afectava Espanha e o governo permitia marchas feministas de grandes dimensões em Madrid. Curiosamente, ou talvez não, Madrid foi das zonas mais afectadas. A ideologia a sobrepor-se a tudo o resto, tão típico.

O Vice-Presidente do governo, que pertence ao Partido Podemos (o tal Bloco de Esquerda espanhol), já tinha referido que “toda a riqueza do país está subordinada ao interesse geral”. O ministro do trabalho também já tinha dito “o interesse geral é prioritário, ao interesse do indivíduo”. Quem iria adivinhar que com um governo desta índole e com declarações destas, o dinheiro ia começar a fugir?

Dêem-lhes rédea solta e rapidamente iremos ver o mesmo filme, já repetido vezes sem conta. Começa em primeira instância, com o controlo de capitais (proibição das pessoas movimentarem o seu dinheiro como querem, em nome de um “interesse geral”, quando começam a dar conta que o dinheiro está a fugir). O resto vem a seguir. O controlo fica cada vez mais apertado à medida que a economia começa a desabar. Pode ser que mudem a tempo, afinal de contas, François Mitterrand também entrou em força com políticas socialistas para governar França, mas quando a economia começou a desabar, rapidamente meteu o socialismo na gaveta.

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