O Japão e o seu sucesso económico

Cristiano Santos

No Século XVIII o Japão era um dos países mais fechados de todo o planeta. Os xóguns Tokugawa (quem reinavam no Japão) tinham preservado o isolamento do Japão, de forma muito mais rigorosa que a dinastia Quing na China. Chegava a ser quase paranóico. Vigiam de forma rigorosa a influência estrangeira. Já tinham expulso os missionários portugueses há muito. Os únicos comerciantes que tinham alguma (pouca) liberdade e num só porto Japonês (Nagasáqui) eram os holandeses, apenas porque a sua forma de falar os divertia.

Mas os problemas começavam. Enquanto a Europa pulava com a revolução industrial, o Japão fechava-se. Mas as condições climatéricas adversas que se fizeram sentir no final do Séc. XVII e princípio do Séc. XIX, provocaram a fome. A população agitava-se. Para além disso, os Russos começaram a rondar as ilhas Japonesas e a sua força naval intimidava. Invadiram e fizeram o que quiseram na ilha Sacalina. Igualmente alarmante, foi a chegada ao porto de Nagasáqui, de um navio de guerra Inglês que só partiu depois de satisfazer o seu pedido ameaçador de abastecimentos. O atraso Japonês era por demais evidente, a todos os níveis e os japoneses estavam a ser confrontados com isso.

Dá-se então a revolta dentro do Japão e inicia-se a construção de um Estado moderno. Nada foi fácil, mas a velocidade de mudança foi impressionante.

Acabaram com a vassalagem, os governos hereditários passaram a ser substituíveis, introduziram a liberdade profissional e respeitaram a propriedade privada. Reformaram a Justiça entre 1870 e 1873 e todos passaram a ser iguais perante a lei. Permitiram uma liberdade de pensamento invejável para a altura e cobravam baixos impostos, estimulando a produtividade e o mérito.

Começaram a exportar os seus produtos excedentários. De início, seda em bruto e chá. Como repararam que a sua solvência dependia de uma pequena variedade de produtos para exportação, começaram a exportar têxteis de algodão em 1883 e depois, outros produtos. Controlaram a moeda e quase não pediam dinheiro emprestado ao estrangeiro. Permitiram que comerciantes estrangeiros acedessem aos seus portos, cobrando inclusive baixas tarifas aduaneiras, pois para os estrangeiros venderem os seus produtos, os Japoneses eram “obrigados” a produzir riqueza, para serem capazes de os comprar. 

No início do Séc. XX o Japão caminhava para uma economia de livre mercado, com um pendor fortemente liberal e apesar de começar atrás de todos os outros, rapidamente ultrapassou o império Otomano, a China, a Índia e toda a América do Sul. O Japão tornara-se uma potência. 

Não haveria mal algum, que Portugal debatesse e copiasse o que de melhor se fez e se faz, por esse mundo fora.

Deixe uma resposta