O que acontecerá ao preço dos combustíveis durante 2013?

Tiago Esteves
No final do mês de Dezembro de cada ano surgem sempre várias previsões e anúncios de aumentos nos mais diversos bens e serviços. Os combustíveis são hoje responsáveis por uma importante fatia do orçamento das famílias e é por isso fundamental que se anteveja o que o novo ano nos pode trazer nesse campo.
Para os mais impacientes, fica já a conclusão. Na minha opinião, durante o próximo ano veremos o preço dos combustíveis baixar. Passemos então à explicação por detrás desta teoria.
Há, assim por alto, pelo menos 5 factores que têm uma influência significativa no preço final dos combustíveis: A margem de lucro das gasolineiras, os impostos sobre os produtos petrolíferos, a margem de lucro de quem refina, o preço da matéria prima e o factor cambial.
Margem de lucro das gasolineiras
2013 tem tudo para ser um ano de quebra de margens para as gasolineiras. O trabalho de desmistificação por parte da DECO relativamente à falta de benefício dos combustíveis aditivados veio criar algum desconforto nas gasolineiras, que deixam de ter um argumento sólido para se oporem ao desejo que o governo tem em obrigá-las a fornecerem também combustível não aditivado. Mesmo que o poder do lobby vença esta guerra e a medida não passe do papel, a tendência do próximo ano nunca será de aumento nas margens, pelo contrário.
Impostos sobre produtos petrolíferos
O orçamento de estado para 2013 prevê um aumento deste imposto, o que não vem ajudar a minha teoria. Felizmente este aumento é praticamente irrelevante, significando cerca de 0,2 cêntimos por litro no preço final do gasóleo e 0,11 cêntimos no da gasolina. Isto significará um aumento médio de 10 cêntimos por depósito. Não poderemos esperar daqui uma diminuição no preço final mas também não se antevê um acréscimo relevante de impostos neste campo para o próximo ano, o que é menos mau.
Margem de lucro das refinarias
Esta área continua a ser demasiado monopolista, o que não ajuda de forma alguma o consumidor final. As margens de lucro das refinarias no nosso país andavam, da última vez que verifiquei, por volta dos 16 cêntimos por litro. Não é nenhuma fortuna, têm de ganhar a sua parte, mas se houvesse um aumento da concorrência poderíamos ver essa margem cair para metade. Sendo realistas e concretos, não se espera que tal aconteça em 2013. Poderá inclusive haver um aumento ligeiro para compensar o aumento da inflação  (e as quebras de rendimento provocadas pela diminuição da procura). Ainda assim não acredito que os aumentos de margem no próximo ano sejam escandalosos.
Preço da matéria prima
Deixei a matéria prima e o factor cambial para o final por serem os mais relevantes e aqueles que sofrerão certamente uma maior alteração no próximo ano. Comecemos pela matéria prima. O nosso país tem como referência o preço do Brent, que serve de referência para praticamente todo o mundo à excepção dos Estados Unidos. Ora, isto é mau para nós… Quanto mais fulgorante estiver a economia mundial mais elevado será o preço do Brent. Porquê? Porque os mercados associam o fulgor económico a um maior consumo de petróleo, e o maior consumo faz aumentar o preço. Estando os emergentes ainda em franco crescimento nós levamos por tabela!
Ora, para 2013 é provável que a economia Mundial abrande, ou pelo menos que os maiores motores abrandem o ritmo de crescimento. Se isso ocorrer, o preço do Brent descerá progressivamente para níveis mais razoáveis. Tecnicamente falando, estamos agora numa zona de considerável resistência e o próximo suporte é nos 85 dólares! Existe uma franca probabilidade de o Brent sofrer uma quebra a rondar os 25% nos próximos meses, o que aliviaria em muito as carteiras dos consumidores.
A adicionar a este factor temos actualmente um dos maiores diferenciais entre Brent e Crude dos últimos anos! Actualmente o preço do Brent está 33% acima do preço do Crude, o que me parece claramente exagerado. Se houver uma convergência de preços, como eu espero que haja, esta convergência fará baixar o preço do Brent.
A estabilidade geopolítica não pode também ser desprezada. Sempre que os Americanos se metem em confusões pagamos todos, porque o preço do petróleo aumenta. Felizmente o presidente Obama é uma pessoa sensata e tem diminuído os confrontos e tensões com países produtores de petróleo. Se a estabilidade Geopolítica se mantiver, também daí não teremos surpresas. Só para terminar este ponto, e não querendo ser exaustivo, let me make this clear: a ameaça de precipício orçamental dos US não faz o preço dos combustíveis aumentar, como os nossos jornais têm anunciado diariamente. Pelo contrário, se os US caírem numa recessão e se essa recessão contaminar o mundo é mais do que expectável que o preço dos combustíveis caia!
Factor Cambial
A cotação da matéria prima continua a fazer-se na moeda de referência mundial, o dólar. Nós compramos a matéria prima em Euros. Isto significa que quando o Euro está “forte” pagamos menos do que quando este está “fraco”. Como bem sabemos, a Europa tem atravessado uma crise que (na minha modesta opinião) tem mais de alarmista do que de concreta. Os mercados, como sempre, exacerbam os movimentos e as modas. Isso fez com que o Euro estivesse em 2012 extremamente baixo relativamente ao Dólar. Felizmente para nós, esta crise trouxe-nos a oportunidade de reestruturarmos alguns dos pontos fracos da economia, reforçando-a. Pelo contrário, os US “taparam o sol com a peneira”. Ao invés de corrigirem os problemas, adiaram-nos com mais problemas. E a dívida continua a aumentar…. de forma assustadora!
Isto tudo para dizer que estou extremamente pessimista em relação ao futuro do Dólar e optimista em relação ao comportamento do Euro face a esta divisa, a recuperação de 10% dos últimos meses poderá não ficar por aqui. A confirmar-se esta previsão poderíamos contar com mais um factor a ajudar-nos durante o próximo ano. Veríamos certamente a balança comercial ser prejudicada mas pelo menos os combustíveis também ficariam mais baratos.
É verdade que a melhor altura para fazer prognósticos é no fim do jogo. Só mesmo no fim do jogo é que evitamos o erro, erro que tantas e tantas vezes acontece nos mercados. Mas se formos acompanhando as tendências poderemos tentar prever o que acontecerá num futuro de curto/médio prazo e, se possível, ganhar algum dinheiro com isso. Aproveito este último post do ano para desejar a todos os que acompanham este espaço um feliz ano novo. Ainda não será no novo ano que a minha atenção regressará em pleno ao blog, pois continuo fortemente condicionado pelo doutoramento e pelo trabalho, mas não deixo de acompanhar com frequência a evolução dos mercados. Se tiverem alguma questão ou comentário já sabem que mos podem fazer chegar por e-mail ou pelo Facebook, eu vou sempre respondendo.
Um bom ano novo cheio de saúde, sucesso e dinheiro!!

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