O Resgate à banca Espanhola e os mercados financeiros

Tiago Esteves

Hoje de manhã, quando a TSF fez a habitual revisão dos
mercados, não pude deixar de sorrir. Resgate após resgate continua a
assistir-se a movimentos temporários de euforia desmedida, como se fosse desta
afinal que se descobriu a pólvora! Durou pouco o short squeeze, nem para uma
sessão de alta em Portugal foi suficiente. Os Americanos podem queixar-se do
mesmo, fecharam no vermelhão. 
O resgate à banca Espanhola é uma belíssima medida de longo
prazo, tal como o resgate a Portugal. Consolidam-se mecanismos, eliminam-se
vícios entranhados na cultura organizacional… Mas no curto prazo isso só
provoca dor, e a dor turva-nos a visão. Lamento, mas não acredito que seja
desta que o bull market arranca. É necessário muito mais… A seguir à banca irá
o estado Espanhol, depois vai a Itália, depois quem sabe! 
Na minha ingénua convicção, não tenho a mínima dúvida que
este problema só se resolve com a emissão de Eurobonds. Controla-se o mal pela
raiz, a poderosa vontade do mercado, que em tudo vê argumentos para mais uma
desmedida subida nas taxas de juro. Mercado que somos todos nós, todos os que
quisermos financiar as economias alheias e nos parecer todos os dias
insuficiente a taxa de juro que ontem era suficiente. E se houve algo que mudou
de ontem para hoje foi para melhor, porque a podridão já era residente há anos.
Continue a eliminar-se a gordura, e alimente-se o monstro com ela. Enquanto não
convencermos os Alemães a cederem ao seu egoísmo para sustentarem o nosso, isto
só vai ao sítio quando os “mercados” quiserem…

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