Obrigações Argentinas – Suicídio financeiro ou investimento para o futuro (II)?

Dinis Barbosa

Dinis Barbosa

, Obrigações

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Passados quase dois anos desde a viragem de rumo da Argentina, o país apresenta ainda sinais económicos lentos, mas encorajadores. Contudo, o acesso ao financiamento exterior é, neste momento, já uma realidade. A Argentina emite atualmente dívida nos mercados internacionais, tendo emitido em 2017 dívida pública em USD com maturidade a 100 anos e várias emissões municipais.

Para o investidor europeu, que pretende diversificar o seu portefólio com ativos em euros de modo a não estar sujeito a riscos cambiais, as obrigações argentinas são atualmente uma oportunidade. A Argentina caminha lentamente, mas vai dando passos cada vez mais seguros rumo a uma economia mais forte e saudável. Por este motivo, as suas obrigações soberanas e municipais merecem atenção especial.

As obrigações de médio e curto prazo da província de Buenos Aires (Set-up Long Term Par Bonds due 2035 e Step-Up Medium Term Par Bonds due 2020) são obrigações que resultaram de uma oferta de troca de várias emissões em EUR, USD e JPY por novas emissões em EUR e USD em 2005 (duas das quais as anteriormente citadas, e a outra a Discount Bonds due 2017). Ambas as emissões em EUR têm subido consistentemente ao longo do tempo, estando a emissão de 2035 (ISIN XS0234082872) a cotar nos 82% e a emissão de 2020 (XS0234085461) a cotar acima do par.

A emissão de 2035 está neste momento com um percurso sólido, tendo nos últimos três anos subindo consistentemente dos 50% até aos atuais 82%. Com o atual cupão de 4%, isto representa uma rentabilidade anual de cerca de 4,87% e uma Yield to Maturity de 5,6%. E em euros!

Para o pequeno aforrador que pretende colocar uma parte do seu capital nestes ativos é também importante saber como se comporta o ativo em termos de liquidez. Sendo a obrigação transacionada no mercado contínuo, podendo ser negociada a qualquer hora no normal funcionamento das bolsas, é possível verificar na bolsa de Frankfurt (uma das principais bolsas mundiais de transações de obrigações) que cada linha de negócio varia em média entre os 15.000 EUR nominais e os 60.000 EUR nominais. O spread bid ask de cerca de 2%, é também um fator que demonstra que existe liquidez neste ativo, sendo este valor bastante razoável. Esta obrigação sénior tem valores nominais de 1.000 euros, o que permite que praticamente qualquer investidor possa adicioná-la à sua carteira.

De realçar que a Província de Buenos Aires emitiu em Julho de 2017 obrigações também em euros com cupão de 5,375% e maturidade em 2023. A cotação dessa emissão está atualmente três pontos percentuais acima do par, e o spread bid ask de 0,6%, mostra que os investidores começam a demonstrar apetite pelas obrigações deste emitente. É ainda assim importante estar ciente dos riscos existentes. Um investimento em obrigações Argentinas não é o mesmo que um investimento num depósito a prazo em Portugal, onde existe uma garantia de até 100.000 euros pelo estado português. Existe sempre a possibilidade de algo inesperado acontecer. Contudo, as novas políticas implementadas e os esforços que se fizeram para alcançar o financiamento externo, bem como os sinais económicos que começam a surgir, parecem trazer alguma segurança para um investimento em território Argentino. Além disso, ao contrário do que acontece em transacções de obrigações de países como a Alemanha, no caso da Argentina os residentes Portugueses não são sujeitos a dupla tributação. É ainda de realçar que o rating atribuído pela Moody´s em Maio do corrente ano à Província de Buenos Aires foi de B3, (sendo considerado um investimento especulativo), mesmo rating da Argentina.

Por tudo isto, vale a pena começar a olhar para as oportunidades neste país, e ponderar a recompensa potencial que poderá advir das emissões obrigacionistas que o país oferece.

 

 

 

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