Obrigações Argentinas – Suicídio financeiro ou investimento para o futuro?

Dinis Barbosa

Quando se fala em mercados financeiros e em bolsa de valores, a primeira palavra que poderá vir ao pensamento é “ações”. Com efeito, as ações são uma parte importante e, provavelmente, a mais conhecida dos mercados financeiros. Existe, contudo, uma panóplia de instrumentos mais ou menos complexos que também podem compor os portefólios do pequeno e médio investidor.

As obrigações são um desses instrumentos. Enquanto o dono de uma ação é o dono de uma parte da empresa, o dono de uma obrigação é um credor dessa mesma empresa. Ou seja, efetua um contrato com ela para a financiar, e espera um determinado retorno contratualizado. A obrigação é, em linhas gerais, um título de crédito que confere ao seu titular o direito a receber um determinado cupão (juro) em datas previamente estipuladas e no final o reembolso do capital, podendo este “empréstimo” ser efetuado a empresas privadas, públicas ou nações.

A Argentina é um case study no que diz respeito às obrigações soberanas (obrigações emitidas por estados), levando sempre a acérrimas argumentações em relação ao seu braço de ferro com os fundos “abutres”.

Em 2015, após anos de diferendo com os credores internacionais, o povo argentino votou numa mudança radical de rumo, optando por um caminho diametralmente diferente, com muitas interrogações e resultados incertos. Essa votação elegeu Mauricio Macri para liderar a Argentina, ao derrotar nas urnas Cristina Kirchener, e pondo término a mais de 15 anos de Kirchenerismo.

As primeiras medidas tomadas pelo novo presidente passaram pela eliminação dos controlos cambiais e unificação das taxas de câmbio, pela retoma da negociação com os credores internacionais, pela reforma do sistema de estatísticas nacionais, e pelo início das políticas de livre circulação de capitais. Todas estas alterações trouxeram novamente a esperança de colocar a Argentina, uma vez mais, no mercado internacional de capitais globais, que até então lhe estava vedado.

Este enorme esforço teve um preço inicial alto: as reservas cambiais do banco central da Argentina caíram de 52 biliões de USD em 2011 para 26,2 biliões de USD em 2015, a inflação disparou e o desemprego aumentou.

Na segunda parte deste artigo analisaremos algumas emissões obrigacionistas neste país que pode valer a pena manter debaixo de olho!

 

 

 

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