Obrigações Benfica 4% – E agora, vale a pena?

Tiago Esteves
Como já vem a ser hábito, a SAD do Benfica emitiu novo empréstimo obrigacionista, desta vez repetindo a taxa de juro de 4% oferecida na última emissão. Os posts recentes que tenho escrito sobre o tema manifestam a minha opinião geral relativamente a este tema, por isso apenas especificarei alguns pontos entretanto tornados relevantes (para consulta, post da emissão de 2017 e post da emissão de 2016). Algumas considerações relativamente a esta emissão e ao seu timing:

– Caso o Sporting não consiga por algum motivo honrar o compromisso obrigacionista que foi agora adiado para Novembro, a pressão sob os restantes clubes de futebol também aumentará. Até porque num cenário desses será de esperar uma replicação da medida tomada pelo BCP (não emprestar mais dinheiro a clubes de futebol), e consequente pressão sob os juros em mercado secundário.

– É também questionável que a SLB SAD tenha alterado a sua rotina de emissão de um empréstimo obrigacionista a cada 3 anos, para uma emissão anual, em montantes que têm também aumentado. Isto estará em teoria relacionado com a mudança estratégica de uma dívida à banca para uma dívida a mercado, mas como no futebol os relatórios de contas têm uma transparência limitada, não é claro que esta mudança de direcção esteja efectivamente a acontecer, nem quais os benefícios que daí estarão a advir.
– As taxas de juro directoras estarão em teoria mais próximas hoje de subir do que estavam no ano passado. Igualmente o Benfica está hoje financeiramente mais fragilizado do que estava há um ano atrás. Não parece portanto razoável que se ofereça o mesmo cupão que se ofereceu há um ano atrás.
– O último ponto relevante está relacionado com os processos judiciais aos quais o Benfica tem sido associado. A haver consequências daí decorrentes, estes poderão resultar em perdas reputacionais e financeiras, aumentando o risco do empréstimo obrigacionista.
Assim, a respeito das obrigações SLB SAD que amanhã começam a ser transaccionadas, acredito que 4% é um cupão demasiado pequeno para cobrir os riscos directos e indirectos que estão associados a esta emissão. Ficarei, portanto, a observar esta emissão obrigacionista a partir da bancada.

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