Obrigações da Galp – Vale a pena investir?

Dinis Barbosa

Dinis Barbosa

, Obrigações

No arranque da operação, o spread esteve entre 110 e 115. A taxa mid swap a cinco anos está nos 0,1755%, de acordo com dados da Bloomberg , cita um dos jornais económicos Nacionais.

Hoje em dia somos constantemente bombardeados com noticias económicas e financeiras nos vários meios de comunicação social, muitas delas numa linguagem técnica incompreensível para o português médio que investe no mercado de capitais.

É importante explanar os conceitos económicos e financeiros que nos rodeiam numa linguagem que todos consigam compreender, não abdicando, contudo, do rigor financeiro.

Uma noticia que marcou a primeira quinzena de novembro foi a emissão de 500 milhões de euros em obrigações da Galp em mercado primário, com cupão a rondar os 1%, para refinanciar a sua dívida. A questão que se coloca é se esta operação é positiva, neutra, ou negativa.

A resposta a esta questão depende obviamente de qual o lado pelo qual se está a olhar para este prisma: pelo lado do acionista e dono da empresa, ou pelo lado do obrigacionista que a financia, sendo necessário enquadrar o acontecimento no passado recente da empresa e na situação económica atual.

A GALP estreou-se no financiamento através de obrigações cotadas em bolsa, mais precisamente na London Stock Exchange, no ano de 2013, com a colocação de precisamente 500 milhões de euros, tal e qual como o fez esta semana. A diferença residiu que nessa colocação com maturidade em janeiro de 2019 o cupão pago foi de 4,125%. Ou seja, mais de quatro vezes superior ao que colocou hoje. Também nessa emissão a colocação de dívida foi de enorme sucesso, tendo baixado o custo médio da sua divida de médio e longo prazo que se situava em 4,4% para os 4,1%, tendo a procura superando cerca de cinco vezes a oferta.

A emissão de obrigações séniores que ocorreu na semana passada teve uma procura de cerca de três vezes a oferta, e permitirá à GALP fazer um rollover da sua divida que lhe custa hoje cerca de 4% a pagar, substituindo-a por uma dívida com um custo muito inferior, de cerca de 1% passando a maturidade média de 2,1 anos para 2,6 anos.

É importante referir que as YTM da GALP nas emissões de obrigações cotadas em bolsa com maturidades de 2018, 2021 e 2023 estão respetivamente a cerca de 0%, 0,47% e 0,81% .Contudo, embora a YTM esteja nestes valores, a GALP paga os cupões conforme estipulado aquando da sua emissão em mercado primário, sendo que esta emissão com maturidade em 2023 vem em consonância com as YTM exigidas pelos mercados acrescidas de um pequeno prémio. Se assim não fosse não faria sentido os investidores comprarem a divida em mercado primário, comprando a divida com o mesmo risco, no mercado secundário.

Para a GALP, esta emissão é assim muito positiva, pois irá reduzir o custo que paga pela sua dívida. Para o pequeno investidor que pretende investir em obrigações, esta emissão não se mostra muito apetecível. Só pelas comissões de compra e venda que terão que pagar às corretoras (que se situam, no mínimo, a cerca de 0,2% na compra mais 0,2% na venda, mais 2% sobre os cupões pagos, o que faz com que se o investidor precisar de fechar a posição antes da maturidade a sua rendibilidade baixe), o negócio torna-se dispensável. O interesse do mesmo baixará mais acentuadamente quanto mais longe estiver a maturidade. A rentabilidade cairá para patamares apenas ligeiramente superiores a um Depósito a Prazo, e em linha com as Obrigações da Republica ou CTPM, que mesmo nos ambientes mais adversos terão sempre uma protecção superior aos conferidos por uma empresa privada. Assim, conclui-se que este é um excelente negócio, mas apenas para a GALP.

Obrigações da Galp

 

Se aprecia o investimento em obrigações, veja este artigo do autor sobre obrigações Argentinas.

 

 

 

 

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