Obrigações Porto e Sporting SAD- Últimos dias para revogação ou alteração de ordens

Tiago Esteves

Tiago Esteves

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No seguimento do post da passada semana sobre a emissão de obrigações das SAD do Porto e Sporting, não queria deixar de recordar que o último dia para alteração e revogação das ordens anteriormente dadas é já amanhã para o Sporting e no dia 15 para o Porto. Recordo-o por ser hábito de quem segue tais produtos dar avultadas ordens de compra na expectativa de um rateio mais favorável, mas preocupa-me que este ano não tenha havido qualquer anúncio indicativo dos níveis de procura. A somar a esse factor, a SAD do Porto tarda em anunciar se vai ou não acrescentar o montante a emitir (correcção – acaba de ser anunciado à CMVM aumento do valor de emissão para 45 milhões, sem quaisquer referências ao actual nível de procura), o que pode também ser um franco sinal de que a procura está a desiludir. Era habitual a SAD deste clube, sobretudo, vir indicar publicamente o nível de percepção de solidez do clube por parte do mercado na forma de elevada procura da dívida, ainda antes de o processo estar concluído. A falta desse dado levanta-me alguma desconfiança.
Recordo que o montante total em subscrição é gigantesco, o nível de publicidade da operação é o menor de que me recordo, o momento futebolístico de ambos não é propício a euforias, as taxas são as mais baixas dos últimos anos, e a sobreposição de emissões tende a prejudicar ambos os clubes. Como disse no post original, não creio que esteja em causa o sucesso da colocação, nem tão pouco o interesse dos produtos. Mas se o rateio for ainda inferior ao que eu já acreditava inicialmente que pudesse ser, poderemos ter algum panic sell nas primeiras sessões devido à liquidação de ordens a descoberto.
Pessoalmente, e por via das dúvidas, cancelei já 3 das 4 ordens que tinha colocado. Não porque duvide da sustentabilidade de curto prazo de ambos, mas porque o cenário de panic sell não pode de facto ser descartado. E, a verificar-se, permitir-me-ia ir ao mercado secundário compor a minha posição a um preço de desconto. Se existirem muitas ordens de 1 para 10, como era tradicional, e se a procura real só superar em duas ou três vezes a oferta, poderemos ver um cenário grotesco colocar-se: quem deu ordens no primeiro dia (presumindo que a oferta esgotou no primeiro dia) ficaria com grande parte do montante solicitado, e quem desse a ordem nos dias seguintes ficaria com os 200 títulos de quantidade mínima.
Claro que grande parte desta minha teoria é conspiratória, e assenta em argumentos de solidez duvidosa. Mas não deixa de ser possível. E, por isso, sugiro que não deixem de reter o ponto-chave: contem com o imprevisível, considerem-no como possível. Nenhum negócio vale o risco de colocar toda uma carteira de negociação em causa, por muito boa que seja a oportunidade. Para este caso em concreto, espero que os meus receios sejam infundados… 

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  • Anónimo 14 / 05 / 2015 Reply

    Caro Tiago, apenas uma correcção: já na última emissão do FCP (a primeira com este tipo de rateio), não houve qualquer informação oficial sobre os níveis de procura

  • Anónimo 14 / 05 / 2015 Reply

    Entretanto o FCP já anunciou o aumento para 45 milhões.

  • Anónimo 22 / 05 / 2015 Reply

    Bom dia Tiago. Sabe quando é que estas obrigações entram em negociação no mercado secundário? Cumprimentos

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