Ok, vamos falar sobre o Reverse Stock Split do BCP…

Tiago Esteves
Finalmente o BCP ameaça avançar com um reverse stock split. É uma medida de grande coragem, que eu elogio, por poder trazer novamente seriedade à cotação e abrir portas a fundos que não podem negociar penny stocks. Beneficia ainda o título por diminuir de forma muito importante a volatilidade intraday e a especulação. Não é, contudo, expectável que esta medida (a acontecer) represente uma subida do título a médio prazo. Teoricamente este processo não tem qualquer impacto no valor da carteira dos accionistas. Na prática, acaba por não ser bem assim. Utilizando as minhas palavras, de uma análise que lhe fiz em 2012, “quanto mais nos aproximamos do zero mais se justifica um reverse stock split, que seria como gasolina neste incêndio”. Isto porquê?
O BCP, mais do que nenhum título em Portugal, atrai uma imensa audiência de pequenos investidores, que compram por crerem que como o título está a valer cêntimos já não pode cair mais. Olhando para um título que vale 8 euros, e comparando-o com um que vale 8 cêntimos, as pessoas menos afastadas da realidade dos mercados tendem a considerar que o primeiro tem menos potencial de crescimento do que o segundo. Obviamente que não é assim, estamos a lidar com uma mera ilusão numérica, mas a realidade é que essa ilusão leva mesmo as pessoas a comprarem BCP. Quantificando esta questão, de acordo com um estudo académico de 2006 (que analisou 1600 processos de reverse stock split) nos três anos após o acontecimento estas empresas foram batidas pelo mercado num valor médio de 15% ao ano. A bem da verdade é importante referir que este processo geralmente só necessita de ser feito em empresas já muito castigadas pelo mercado, o que em princípio significa que têm uma base fundamental mais fraca do que a média.
É, contudo, demasiado cedo para começar a sofrer com este processo. Tenho algumas dúvidas de que o RSS venha mesmo a acontecer, já que (se não me falha a memória, de quando isso se falava para o Banif) será necessário enquadrar legalmente o procedimento em Portugal. E, quase aposto, vai haver pressão dos accionistas para que tal não aconteça. Mas se pensam que é o RSS que está a pressionar o título, eu não estaria assim tão certo. Na minha modesta opinião, foi a (re)abertura de portas a um novo aumento de capital que gerou maior pressão vendedora de curto prazo. Nem vale a pena alargar-me a falar das consequências de um novo AC, a opinião de 2012 deixada no link acima sobre o tema continua muito actual a esse respeito.

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