OPA de Isabel dos Santos à PT SGPS parece condenada ao fracasso

Tiago Esteves
Depois da manifestação de interesse por parte de Paulo de Azevedo e Isabel dos Santos na participação numa “solução Nacional” para a PT, Isabel dos Santos lançou mesmo uma OPA à PT SGPS durante este fim de semana. Esta atitude não deixa de ser surpreendente, sobretudo por ter ocorrido de forma relâmpago.
Estando a OPA carregada de condicionalismos por parte da empresa emitente (nomeadamente a suspensão de todas as alienações e da fusão), e a um preço de 1,35€ por acção, esta estará à partida condenada ao fracasso.
Colocando-se em princípio de parte o patriotismo e a boa vontade como principais motivadores para esta OPA, qual será então o verdadeiro interesse de Isabel dos Santos em lançar uma OPA mais táctica do que estratégica? Não me parece difícil de concluir que o objectivo principal passe por condicionar a OI. Seja para que a Unitel seja alienada a um preço inferior (parece-me o motivo mais credível), ou para atrasar uma potencial venda da PT à Altice por tempo suficiente para que surjam no mercado concorrentes com menor poder de competição para a NOS, parece difícil de acreditar nesta fase que não haja de facto um plano oculto. 
Como disse, a 1,35€, um preço 30% inferior à cotação média dos últimos 6 meses, a oferta não será certamente aceite. Assim, o que esperar do preço, que é o que verdadeiramente interessa para todos os pequenos investidores? É altamente improvável que se mantenha esta estabilização em torno dos 1,35€, já que o mercado rapidamente assimilará que a OPA não se irá concretizar a estes níveis. Ou regressa à tendência prévia descendente, assente numa expectativa defraudada, ou sobe mais, na expectativa de uma revisão em alta do valor oferecido ou na expectativa de entrada de novos interessados no negócio. 
Apesar de estar mais inclinado para a segunda possibilidade, vejo como altamente improvável a efectiva concretização do negócio. Por esse motivo, e de uma perspectiva muito pessoal, vou-me afastar da PT até que se dê uma clarificação de todo este cenário. Por não suportar cenários de incerteza, onde a aleatoriedade dos negócios represente o principal factor probabilístico de movimentação do preço, não irei “pagar para ver”.
Como tinha partilhado anteriormente, aproveitei o duplo fundo no gráfico horário para abrir uma pequena posição na PT no final de Outubro. Depois de já ter alienado parte dela no contacto com a resistência, acabei por aproveitar hoje a previsível euforia matinal para liquidar a restante posição na (tardia) abertura. Fico então a partir de agora como atento observador, nas sidelines, esperando que todo este processo culmine da melhor forma possível para todos os intervenientes, sobretudo os pequenos accionistas e os trabalhadores.

Disclaimer
Todos
os comentários e posts publicados neste blogue são meras opiniões pessoais, não
devendo ser confundidas com recomendações de compra ou venda. As compras e
vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou perdas daí
resultantes. Se necessitar de aconselhamento financeiro contacte uma entidade
ou profissional certificados pela CMVM

One Comments

  • Yautja 10 / 11 / 2014 Reply

    Boa noite,

    Também sou da opinião que esta OPA não é para ter sucesso como tal, mas tem um interesse estratégico para a Isabelinha.

    Desta forma vai encostar a OI às cordas e vai tirar em seu proveito as Empresas de telecomunicações africanas, que só por acaso são um assuntos mal resolvidos no processo de fusão.
    A Africatel e a Unitel virão como prémio pela não realização da OPA.

    Por muito dinheiro que esta senhora tenha e não coloco isso em causa, o Brasil é apenas do tamanho de um continente, é preciso muito , mas muito dinheiro para se estar presente naquele país, e isso está reservado aos grandes Players de telecomunicações.

    Se por acaso eu estiver enganado e ela quiser ser um player de telecomunicações no Brasil, vai ter no minimo um futuro doloroso pela frente.

    A ver vamos.

    Dá pena ver o que a administração da PT fez.

Deixe uma resposta