Os meus pilares na negociação

Tiago Esteves

Sempre que realizamos um negócio, baseamo-nos em algo para o fazer. Seja em price targets, dicas, esperança… tem de existir um trigger, uma fonte de motivação que nos impulsione a escolher um título em detrimento de outro, aquela zona para entrar e não outra. Quando encerramos esse negócio, a mesma coisa. Tem de haver uma razão para o encerrarmos, por mais leviana que pareça.
É sobre isso que eu vou hoje reflectir, sobre a minha forma de negociar e sobre os aspectos que mais valorizo num determinado trade. Quem costuma acompanhar o que escrevo sabe que sempre que faço uma análise falo sobre isso, embora de forma pouco organizada.

Vou falar sobre cinco factores essenciais na minha actuação como trader, são esses os meus pilares. Como referi acima, não são nenhuma novidade para quem acompanha as análises semanais. De qualquer forma é prático e, quem sabe, útil agregar tudo isso num só tópico.

Análise Técnica

A análise técnica é o meu motor de arranque, o ponto de partida para todos os trades que faço. A minha relação com os gráficos foi de amor à primeira vista, desde aí nunca mais os consegui largar. Apesar de toda a subjectividade que os mais críticos lhe apontam, acredito que se pode ser objectivo utilizando a AT. Fácil não é, certamente! Mas se deixarmos de seguir padrões “forçados” e nos dedicarmos apenas aos mais concretos e fidedignos, teremos grandes probabilidades de sucesso.
Claro que a nossa tendência de jogadores e a raridade dos “bons” movimentos nos impelirão para ver aquilo que queremos ver e negociar os tais padrões forçados.
Existem milhares e milhares de activos por todo o mundo, centenas de boas oportunidades aparecem diariamente. É só uma questão de procurarmos. Quem disse que era fácil? Sucesso sem esforço, só aliado a muita sorte. E o problema da sorte é que, mais cedo ou mais tarde, acaba por se esgotar.

Entradas a favor da tendência

Esta é outra das minhas máximas. Se sabemos que num momento de indecisão as probabilidades estão do lado da tendência, fará sentido tentarmos combater os números? Claro que por vezes as cotações contrariam a tendência, por isso mesmo é que falamos em probabilidades e não em certezas! Um significativo número de traders que bate o mercado, consegue ter sucesso utilizando apenas a estratégia de seguir a tendência dominante. Eu, na minha pequenez, só quero ser mais um.

Position/swing trading

Antes de mais, vamos esclarecer alguns conceitos. Um daytrader é alguém que abre uma posição e a fecha antes do final do dia. Um swing trader abre uma posição e aguenta-a por alguns dias ou semanas. Um position trader aguenta a sua posição por um período entre 3 meses a um ano.
Comecei, como tantos outros, como daytrader. Depressa descobri que não era para mim, não tenho nem o tempo nem a paciência para estar todo o dia agarrado ao computador a ver as cotações mexerem. Além de ser física e psicologicamente mais desgastante, duvido que os resultados no longo prazo sejam melhores.
Actualmente alterno entre swing e position trading. Raramente olho para os mercados no intraday, mesmo quando tenho posições abertas. Basta-me monitorizar o seu comportamento depois do fecho, preparando as posições para o dia seguinte. Os stop-loss estão lá, os stop profit também, não tenho razões para estar preocupado.
Seja o que for que aconteça, já foi planeado previamente. E isso dá uma tranquilidade…
Foi por essa tranquilidade que eu deixei de ser daytrader. Os padrões podem ser os mesmos, tal como a sua validade. Podemos entrar igualmente a favor da tendência. Mas não temos tempo para planear antecipadamente todos os movimentos. E quando digo planear, refiro-me a colocar no papel todo o plano. Planear de cabeça não tem a mesma validade, a menos que sejamos já muuuito batidos nos mercados.

Money Management

Ora aqui está mais uma parte fundamental da minha estratégia. Talvez a mais importante, sem sombra de dúvidas. O money management evita que um bom trader, com uma boa estratégia, caia em ruína se a coisa der para o torto. E há sempre trades que parecem perfeitos e depois azedam, geralmente aqueles em que depositamos maiores esperanças de sucesso.
Seguir regras básicas como o tamanho da posição, a distância aos pontos de saída, o grau de risco que se corre… são passos essenciais para o sucesso duradouro.
Muito haveria para dizer neste ponto, por toda a sua importância e relevo. Mantenho a promessa de escrever unicamente sobre money management quando tiver algum tempo livre.

Psicologia de trading

Deixei esta para o fim, por passar muitas vezes despercebida. É esta a razão de ser da análise técnica, a base de todos os padrões, dos suportes, das resistências dos aumentos de volume. Tudo tem a ver com a psicologia, a psicologia dos intervenientes no mercado. Pequenos, grandes investidores. Todos seres humanos, e a comportarem-se como tal. São esses comportamentos que se reflectem nos gráficos, deixando as suas marcas. Mas não era disso que eu queria falar, já que essa parte está mais relacionada com a AT. Eu quero falar sobre os meus próprios comportamentos e sentimentos e a forma de os gerir/manipular.

Quando disse acima que planeio os movimentos de véspera e os deixo correr livremente, não referi porque o faço. Se observasse os mercados durante o seu livre funcionamento, alteraria muitos dos planos traçados. Por medo de perder, ambição de querer ganhar mais… por todos os sentimentos que nos fazem palpitar o coração no intraday e provocam os disparos de adrenalina que mexem com a nossa parte racional.
Eu não gosto de adrenalina, de emoção. Gosto de sentir as coisas sob controlo, sem surpresas. Daí agir de forma a minimizar tudo o que possa causar surpresas, criando o plano B o plano C, até o plano D, se necessário.
Tudo tem de ser previsto antecipadamente, com calma, tempo e cautela. Quando isso não acontece, prefiro perder um movimento promissor. Atrás dele virá outro e outro e outro. Já com o dinheiro não é bem assim, atrás deste não há muito mais para perder de forma precipitada. E custou tanto a ganhar…

Lista de Comentários

  • Tiago Santos 20 / 02 / 2009 Reply

    Olá Tiago,

    Muitos parabéns.

    Conforme já te disse no passado, acho que estás a fazer um excelente trabalho. Do melhor que há por aqui… Continua!

    Rigor, disciplina, seriedade, bom senso, lucidez, dedicação, empenho, humildade… enfim algumas das qualidades que me vou apercebendo em ti.

    Estás focado no processo e não no dinheiro, isso é excelente. Esse é o caminho.

    Se algum dia eu criar um hedge fund era um trader como tu (com as tuas características pessoais) que eu gostava de ter a trabalhar ao meu lado…

    PS – Compra o “Trend Following” do Michael W. Covel (Financial Times Press).

    Um abraço,
    Tiago

  • Tiago Santos 20 / 02 / 2009 Reply

    Olá novamente,

    O livro que te recomendei deve ser mesmo muito bom pois é a primeira vez que recomendo um livro que ainda estou a ler. Agora é que me apercebi. 🙂

    Comecei a ler há pouco mais de uma semana e vou começar hoje o décimo capítulo.

    É um livro magnifico que te demonstra que todo o caminho que estás a fazer está correcto e faz sentido. Juntamente com o “Trading in the zone” do Mark Douglas acho que temos tudo o que é preciso saber.

    Depois fica a faltar conseguir executar tal e qual… conseguir operar na zona. 😉

    Um abraço,
    Tiago

  • Tiago Esteves 20 / 02 / 2009 Reply

    Olá Tiago,
    Apesar de negociarmos em timeframes e activos completamente diferentes, acho a nossa forma de encarar os mercados extremamente semelhante.
    Se calhar é porque lemos os mesmos livros:)
    Também não me importava nada de trabalhar a teu lado, aprenderia certamente imenso…

    Quanto à tua sugestão, é mais um para a minha lista de espera, espero lê-lo em breve. Já o tinha visto há uns tempos na net e pareceu-me sugestivo, embora não tivesse “referências” a seu respeito. Assim, nem hesito:)
    Grande abraço

  • canguru 20 / 02 / 2009 Reply

    Mais um belo artigo Tiago (o Esteves)!

    Vocês teêm de facto muito em comum (idade, abordagem, metodologia, muita formação, blogs muito interessantes), a única coisa que vos destingue é mesmo a escala temporal em que cada um negoceia.

    Revejo-me na vossa abordagem ao mercado. Ando a ler e cada vez com mais precepção dessas componentes todas que referes no teu artigo (AT, Pontos de entrada/saída, Money Management e Psicologia de trading.) Neste momento estou com 5 livros lidos (Elder, Murphy entre outros) e o próximo será certamente um do Douglas para reforçar o «trading psychology»

    Continuem!

  • Tiago Esteves 21 / 02 / 2009 Reply

    Obrigado, Canguru:)
    Estás a ler excelentes referências, se tiveres a teoria e a disciplina, só te fica a faltar a prática (que não sei se tens).
    Só te falta mesmo um blogue, para partilhares connosco as tuas experiências;)
    Abraço

  • Tiago Santos 21 / 02 / 2009 Reply

    Olá Tiago,

    O “Trend Following” foi-me recomendado pelo Dr. Ricardo Arroja. Comprei-o e, confesso, é o melhor livro de trading que li até hoje. E olha que já li muitos, muitos mesmo. 😉

    Canguru, para reforçar a componente psicológica o melhor que li até agora foi o “Trading in the zone” do Douglas. Quando encontrar também quero ler o “The disciplined trader” do mesmo autor.

    PS – Já agora fiquei com uma grande curiosidade… qual é o time frame em que vocês acham que eu opero? E porque razão têm essa opinião? E, já agora, qual é o vosso e porquê? A resposta, e auto-resposta, a estas questões é muito interessante…

    Um abraço,
    Tiago

  • Tiago Esteves 21 / 02 / 2009 Reply

    Tu? Pelo que acompanho dos teus movimentos és um daytrader. Raramente deixas posições para o dia seguinte, quando o fazes é com cobertura. E pelo que me lembro, (assim de cabeça) a posição mais longa que negociaste rondou uma semana.

    Eu faço maioritariamente swing trading, posições de muitas semanas também me deixam desconfortavel (estou a tentar melhorar esse aspecto). Como disse no texto, esse timeframe permite-me negociar com muita tranquilidade, sem estar agarrado ao ecrã. E planear as coisas com muito mais calma. Ao contrário de ti, não tenho uma disciplina férrea no intraday que me permita entradas e saídas rápidas:)

  • Tiago Santos 21 / 02 / 2009 Reply

    Em 2009 as operações estão a durar, em média, 2.7 dias. Mas nota que em todas fui “stopado” (só uma foi fechada com lucro mas porque não a quis manter para o dia seguinte e não porque tenha atingido o objectivo).

    Fiz a pergunta porque eu próprio ao longo desta experiência estou a tentar descobrir qual é o horizonte temporal que mais me agrada e se encaixa no meu perfil.

    E o daytrading não é claramente. 🙂 Embora, curiosamente, mais de 90% das operações realizadas em 2008 tenham sido abertas e fechadas no próprio dia. Por isso, tens toda a razão em pensar assim. Era essa mesmo a curiosidade que eu queria satisfazer.

    Ao longo do tempo tenho vindo a limiar as diversas arestas para que tudo comece a ganhar coerência e consistência. E, parece-me, que a coisa está a começar a ganhar forma.

    Espero, dentro de alguns meses, poder explicar-te melhor e com um exemplo concreto o que te estou a tentar dizer agora.

    Um abraço,
    Tiago

  • Tiago Esteves 21 / 02 / 2009 Reply

    O Daytrading é um timeframe muito complicado, extenuante até.
    Se tens resistido até agora nesse timeframe, com alavancagens elevadíssimas, provavelmente terias também muito sucesso num timeframe mais alargado.
    Já pensaste em fazer uma experiência paralela, noutro género de activos, que te permitissem manter a posição por mais alguns dias?

    Fico à espera da explicação, é sempre um prazer aprender contigo.
    Abraço

  • Tiago Santos 23 / 02 / 2009 Reply

    Olá Tiago,

    Precisamente. Foste directo ao cerne da questão. O timeframe e a sua relação com a alavancagem do(s) activo(s) utilizado(s).

    Efectivamente o daytrade começou por:

    1. Acontecer naturalmente, penso que é assim com todos nós;

    2. Depois, no meu caso, passou a ser uma “obrigação” para evitar o risco overnight;

    3. Quando comecei a dominar e a entender os perigos e potencialidades da alavancagem esse risco overnight ficou bastante reduzido;

    4. Com o conhecimento e os dados recolhidos constatas que o daytrade pura e simplesmente limita de forma absurda os teus lucros (no daytrade não é possível deixar correr, efectivamente, os lucros);

    Hoje não considero o daytrade. Interessa-me apenas montar operações de médio e longo prazo. É o que estou a tentar fazer desde inicio de 2009, por exemplo.

    Não considero a hipótese de mudar de activo pois agrada-me a elevada alavancagem do euro-schatz. Visto que a parte psicológica está, aparentemente, muito fortalecida consigo aguentar bem uma série de pequenas perdas até apanhar o comboio. Depois do o conseguir fazer pretendo ir escalando a posição adicionando contratos. É aqui que, segundo as minhas contas, a elevada alavancagem vai compensar as muitas pequenas perdas.

    Além de que já começo a conhecer muito bem este activo e, como já defendi no caldeirão e no thinkfn, operar um só activo não aumenta em nada o risco e na minha opinião pode dar-te uma considerável vantagem. Só operando um único activo, penso, consegues ter a noção perfeita entre a relação tempo/preço que te permite concluir que todos os indicadores são inúteis.

    Um abraço,
    Tiago

  • Tiago Esteves 23 / 02 / 2009 Reply

    Eu concordo contigo, o facto de negociares apenas um activo não te prejudica. Prejudicaria sim se estivesses obrigado a estar sempre investido.

    A alta alavancagem que te é permitida também pode ser um grande perigo, mas dada a tua já vasta experiência a lidar com ela, penso que está mais que controlada. Para mim, seria impensável negociar utilizando alavancagens tão poderosas.

    Pelo que entendi, a forma de alargares o teu timeframe é ir constituindo a posição progressivamente (diminuindo assim os riscos de manter a posição aberta overnight), à medida que esta se vai revelando vencedora, é isso? Ou não só?

    Abraço

  • canguru 23 / 02 / 2009 Reply

    Viva aos 2!

    Tiago Esteves, a prática que tenho resumiu-se a “controlar” a performance de fundos de acções que tive em 2006 e no final de 2007. Agora, com mais formação, penso que estarei habilitado a estrear-me a meio de 2009, dependendo também das condições de mercado. Para já não tenho pressa em entrar. Quanto mais ler e observar o mercado, quando mais souber de money management menos dinheiro vou provavelmente perder quando entrar naquilo que será o meu 1º estádio enquanto investidor em bolsa.
    Basicamente sinto que estou a palmilhar o mesmo caminho que vocês percorreram em 2007. Ainda vejo as pegadas….

    Em relação ás perguntas lançadas pelo Tiago Santos, aqui seguem as respostas:

    “qual é o time frame em que vocês acham que eu opero? E porque razão têm essa opinião?”

    com várias incursões no teu blog e lendo o teu relatório anual fiquei com a ideia que a grande maioria das operações é aberta e fechada no mesmo dia, daí resultado a minha catalogação como “daytrader”. De qualquer forma, fiquei com a sensação ao ler um dado artigo teu no caldeirão (corrige-me se estiver errado) que bem recentemente te deste conta que os teus melhores trades foram aqueles que tiveram maior duração. Dai penso que as palavras do Tiago Esteves (sugerindo que possas fazer uma incursão numa time frame mais alargada), fazerem algum sentido, até porque, depois de operares no intraday, já teres um “endurance” apreciável.

    Um abraço

  • Tiago Esteves 23 / 02 / 2009 Reply

    Canguru,
    Surpreendeste-me! Ninguém diria que ainda não te tinhas estreado em bolsa. Quem me dera também ainda estar para entrar e saber o (pouco) que sei hoje. Tens feito experiências em contas demo, ou nem isso?

    Depois de tudo o que leste e das experiências que foste ouvindo em todos nós, certamente não cairás em alguns erros básicos. Isso já é uma grande vantagem sobre todos os que começam do zero!
    Abraço

  • Tiago Santos 24 / 02 / 2009 Reply

    Olá Tiago e Canguru,

    Basicamente é isso.

    O daytrade não te permite deixar correr os lucros, mesmo muito alavancado. É bom para ganhar disciplina e conhecer o mercado/activo.

    A minha postura actual (que já vem desde Setembro de 2008, mais mês menos mês) é a seguinte: tentar montar uma operação com apenas um contrato e se a operação me for favorável adicionar outro contrato quando o primeiro estiver em break even e assim sucessivamente. O risco assim é sempre diminuto e cerca de 2% a todo o momento.

    Ainda não consegui montar nenhuma operação… fui sempre expulso por activação dos STOP LOSS.

    A lado, aparentemente, negativo: como o contrato é muito alavancado uma estratégia destas implica muitas pequenas perdas sucessivas. Semanas, meses de perdas.

    O lado positivo: no dia em que deixares de ser expulso do mercado pelo ruído (devido à elevada alavancagem do activo) ou erro de análise a operação irá compensar todas as pequenas perdas e dar um lucro considerável.

    Canguru, precisamente. Embora cerca de 90% das operações realizadas em 2008 tenham sido abertas e fechadas no próprio dia as operações mais lucrativas foram as de maior duração. Além disso temos ainda de ter em conta a questão que muitas operações são fechadas no próprio dia por ruído, ou seja, pelo stoploss ser activado e não por ter sido atingido “o objectivo”, digamos.

    Já que falo de objectivo, aproveito para dizer que não existe objectivo no deixar correr os lucros. Vais aumentando a posição vencedora e esperando enquanto durar a nova tendência.

    Um abraço,
    Tiago

  • canguru 25 / 02 / 2009 Reply

    Olá Tiago!

    Infelizmente tenho menos tempo do que aquele que gostaria para estudar os mercados. Ainda assim, consigo fazer diariamente (e com prazer) uma das seguintes tarefas:
    – Ler;
    – Analisar gráficos em pelo menos duas escalas temporais;
    – Identificar os melhores trades; neles os melhores pontos de entrada e saída e fazer algumas (escassas) simulações com a evolução diária de preços

    Para já estou mais focado, precisamente nesses pontos ‘ideais’ (ou mais satisfatórios) de entrada e saída e no money management. Esses pontos de entrada e saída são fulcrais para não existir o: entra no trade – sai do trade – entra no trade…
    Para já ainda só li a opinião do Murphy (algo vaga) e do Elder (idêntico a um tópico que tu bem descreveste há uns tempos). No entanto a forma que ele sugere penso que requer um ambiente menos volátil do que aquele que temos tido, daí que ando a adaptar a estratégia por ele recomendada.

    Um abraço

  • Tiago Esteves 25 / 02 / 2009 Reply

    Tiago,
    Desculpa não ter publicado este comentário atempadamente. Passou sem eu dar conta:(
    Logo à noite respondo aos 2 últimos comentários com mais calma.

    Abraço (e desculpa mais uma vez)

  • Tiago Esteves 26 / 02 / 2009 Reply

    Olá novamente, Tiago e Canguru!
    Bastante interessante esta nossa conversa, já me pôs a reflectir sobre algumas coisas:)

    Tiago,
    Uma curiosidade: o que te levou à eleição desse activo para negociares?
    Se diminuísses a alavancagem, poderias afastar-te mais do ruído e seres stopado menos vezes. Claro que o lucro potencial num trade ganhador também ficaria fortemente limitado, mas em alturas de alta volatilidade como a actual, não te seria benéfico negociar um outro activo com menos alavancagem?

    Canguru,
    Continuando a falar de volatilidade… ao ler o teu comentário e ao escrever para o Tiago, lembrei-me que uma das modificações que fiz do ano passado para este ano foi a diminuição do tamanho das minhas posições.
    Como já disse várias vezes, eu não coloco os meus stops a uma distância percentual, mas sim à distância de um limiar de dor. Ou seja, aceito perder até X€ nos trades que faço. Embora esse montante não tenha mudado do ano passado para este ano, diminuindo o tamanho padrão das minhas posições em 40% consegui aumentar significativamente a percentagem de distância ao ponto de stop.

    Tenho constatado que, embora ganhe menos nos trades ganhadores, sou stopado muito menos vezes com o “ruído”, o que me tem parecido claramente benéfico.
    Quando o mercado entrar novamente em trending mode (no médio/longo prazo) pretendo adaptar novamente a estratégia mas, para já, foi a forma que encontrei de contornar a volatilidade.

    Abraço

  • Tiago Santos 26 / 02 / 2009 Reply

    Olá,

    Em 2008 comecei a operar futuros sobre o Eurostoxx mas devido ao meu primeiro drawdown vi-me impossibilitado de continuar a abrir posições por falta de margem.

    Foi esta a razão que me “obrigou” a mudar para um contrato cuja exigência de margem fosse menor. Foi assim que comecei a operar no Euro-Schatz. Claro que a alternativa poderia ser ter reforçado a conta naquela altura, mas tal opção pareceu-me pouco sensata.

    Depois de ter recuperado poderia ter voltado ao Eurostoxx mas o facto é que comecei a gostar (e muito) do Euro-Schatz. Comecei a conhecer muito bem o activo, a perceber bem os seus tempos, a “dominá-lo” e fui ficando.

    Agora é impensável operar qualquer outro activo. O problema da elevada alavancagem vou resolvendo com o tempo, ou seja, em cada dia 1 de Janeiro vou alocando um pouco mais de dinheiro à conta de futuros de forma a que, operando apenas um contrato inicialmente, a avavancagem vá diminuindo.

    Um abraço,
    Tiago

  • Tiago Santos 26 / 02 / 2009 Reply

    Relativamente ao atraso na publicação do outro comentário não te preocupes… 🙂 eu é que já estava na dúvida se o teria chegado a enviar. 😉

    Abraço,
    Tiago

  • canguru 26 / 02 / 2009 Reply

    Isto de vocês serem os dois Tiago faz—me lembrar um sketch dos Monty Pitons em que todos numa dada aldeia se chamavam Smith e a confusão que isso gerava..

    Posto isto… Tiago Santos, também questiono se não ponderas baixar a alavancagem para te resguardares do ruído. Não ponderas eventualmente destinar uma parte da tua carteira para um trading menos agressivo (estilo swing trader)?

    Tiago Esteves, essa tua mudança (diminuição do montante por trade e aumento da distância % ao stop) não te faz com que fiques com um trade menos atractivo no que diz respeito ao rácio profit/loss? Provavelmente sim, nem poderia ser de outra forma para puderes fugir ao ruído. Estou a imaginar um rácio 1.5 ou 1.8… parece pouco apelativo.

    Abraço aos 2

  • Tiago Esteves 26 / 02 / 2009 Reply

    Tiago,
    Compreendo, realmente aumentando o capital a alavancagem diminuirá. Assim, quando fazes reforços de capital, o teu stop percentual aumenta também?

    Canguru,
    Sim, o capital a ganhar também diminui, tal como o rácio profit/loss. Mas geralmente nunca entro em nenhum trade com uma relação perda/ganho inferior a 1:3, o que me dá alguma margem de manobra.
    Vou-te dar o exemplo da Semapa, visto ter sido a última empresa em que entrei. Segundo este método, a relação perda:ganho expectável é de 1:4,5.
    Se utilizasse o método antigo a relação seria de aprox. 1:7 mas o stop já teria sido activado entretanto.

    Em situações deste género, com um rácio muito positivo e títulos voláteis, parece-me claramente favorável diminuir a exposição.

  • Tiago Santos 27 / 02 / 2009 Reply

    Olá,

    Canguru: neste momento não pondero qualquer alteração de estratégia ou activo. Só o farei se durante este processo de aprendizagem encontrar algum facto relevante que me obrigue a tal. Cada vez me convenço mais de que a elevada alavancagem se controla, sobretudo, com elevada disciplina. Eu poderia abrir actualmente 13 contratos de euro-schatz e só abro um.

    Tiago: Não, o stoploss tem de se manter nos 2%, em termos médios, por operação. Só assim conseguirás reduzir efectivamente a alavancagem alocando progressivamente mais capital à conta. E, a propósito, há muitos profissionais que trabalham com stops de 1% ou pouco mais. Consideram 2% demasiado arriscado.

    Resumindo, nós neste “negócio” temos o controlo absoluto de tudo, excepto do preço. Acreditem que é muito mais arriscado gerir um negócio “tradicional” onde existem clientes, concorrentes, contexto de mercado, etc, etc, etc. Dizer que a bolsa é arriscado é um mito.

    Um abraço,
    Tiago

  • Tiago Esteves 27 / 02 / 2009 Reply

    Olá Tiago,
    Ok, já entendi. Faz sentido, mantendo o stop percentual aumentas a perda possível mas a alavancagem diminui…

    Em relação a olhar para o trading como um negócio… bem, acho que nunca tinha pensado nisso dessa forma. Mas tens toda a razão! O preço é a única variável não controlável, isto partindo do princípio que nos conseguimos controlar a nós próprios:)

    Já em relação ao risco… Se as perdas se acumulam (mesmo que a estratégia em voga seja a mais acertada), perdes valor, perdes parte do teu negócio. Num negócio tradicional (em alguns, pelo menos), apenas vês os lucros estagnarem, e os erros humanos são maioritariamente imperceptíveis.

    No trading, um pequeno erro pode ser catastrófico!
    Achas que é possível bater o mercado, de forma contínua, no longo prazo? Quais as probabilidades de negociar durante 20 anos e não cometer um erro suficientemente grande para te “quebrar”?

    Já agora, outra questão em que me vejo muitas vezes a reflectir:
    – Disseste que todos os anos reforçavas a conta. É o que eu faço também, suponho que seja normal nos primeiros anos. Mas, e se continuares a acumular ganhos? Durante, digamos, 10 anos… Continuarias a colocar capital nos mercados ou começarias a retirar e colocar em aplicações mais seguras?

    Abraço

  • canguru 27 / 02 / 2009 Reply

    Olá,

    Essa visão de que “neste “negócio” temos o controlo absoluto de tudo, excepto do preço” causa-me alguma apreensão pois sou pouco adepto de ver os mercados como uma tarefa fácil: 1º porque o preço está para nós como os clientes, os concorrentes e a conjectura económica, todos somados, estão para um empresário (ele também tem os seus mecanismos de sobrevivência: despedimentos, reestruturações, etc…). Em 2º(e como o Tiago Esteves referiu) nós próprios, os nossos impulsos, tentações, pensamentos convictos, etc… (e por mais que treinemos, temos sempre um aparte do nosso cérebro a fantasiar ou a ter medo, é inevitável) e mais importante a maneira como eles nos estão a influenciar o raciocínio a cada momento.

    Imagina alguém com um comportamento irrepreensível nos mercados durante 20 anos e que resolveu shortar VW em Novembro (ainda que com um stop de 2%). A completa impossibilidade de fechar posições poderia elevar esse risco a uma parte incalculável da carteira. É bom ter em mente que em certos casos o preço numa dada posição pode arrasar todo o trabalho de 20 anos, daí achar que o jogo ser arriscado não é um mito.

    Tiago Esteves: Acho que é possível bater o mercado, de forma contínua, no longo prazo. Quando aos erros que possam comprometer o que já foi conquistado, julgo indispensável ir baixando o limite % de stop loss. Tal como o Tiago Santos diz, “há muitos profissionais que trabalham com stops de 1% ou pouco mais”. Pela minha parte se financeiramente me for possível poupar mensalmente, vou alocando parte da minha desse valor em activos sem risco. Imaginemos que poupo 100€/mês, 50€ vão para a carteira de trading e 50€ para uma aplicação segura.Com estas duas estratégias (ir baixando o stop limit á medida que a carteira cresce e colocar uma parte da poupança em rendimento seguro) acredito que estou por um lado a limitar o meu ganho mas a proteger o capital que vou conseguindo.

    Um abraço

  • Tiago Santos 02 / 03 / 2009 Reply

    Olá, bom dia aos dois e uma boa “trading week” 🙂

    Tiago:

    Não vejo as perdas acumuladas como uma perda de valor. De todo! Num negócio tradicional podes estar “a perder” (entre aspas porque não são perdas mas sim investimento) durante anos para depois recuperar todas “as perdas” e realizar lucro quando colocares um produto ou serviço no mercado. É a mesma coisa. No trading as tuas perdas, os períodos de drawdown, são o equivalente ao investimento num negócio tradicional. É ainda mais fácil se pensares em termos de negócios probabilísticos como por exemplo, uma companhia de seguros ao fazer uma apólice (algumas vão dar lucro e outras prejuízo) ou um editor de livros que vai ter que publicar, em média, 9 insucessos por cada best-seller que lhe vai pagar os 9 insucessos, o sucesso e ainda dar lucro ou a indústria farmacêutica que investe milhões durante anos em muitas tentativas falhadas de novos medicamentos. Mas quando um chega ao mercado vai pagar todos os anos de investigação e desenvolvimento.

    Se no trading um pequeno erro for catastrófico então jamais se poderá, ou se estará à altura de ser um trader profissional. Isso para mim é hoje demasiado evidente. Nenhum erro pode ser catastrófico. É precisamente essa a fronteira que separa os profissionais (os que ganham dinheiro) dos amadores (cuja maioria perdem ou pensam que ganham mas ao final de uns anos ao fazer as contas efectivas estão a zero, ou melhor, negativo devido aos custos com comissões).

    Sim, face aos meus conhecimentos actuais não tenho qualquer dúvida de que é possível bater sistematicamente os mercados ao longo dos anos. Confesso-te, tive essa dúvida talvez até ao quarto trimestre do ano passado. Essa era a grande dúvida que eu trazia desde o inicio do meu projecto: será que os mercados são realmente eficientes como defendem muitos teóricos e, no ,longo prazo, “ficamos todos a zero”? Hoje acredito que não, que as tendências existem e tendem a persistir.

    Tentando responder à tua questão de bater o mercado durante 20 anos e depois ser quebrado com um grande erro aqui vai a minha ideia: quem conseguir bater o mercado durante 20 anos de forma sistemática e metódica só poderá cometer um grande erro, penso eu, se psicologicamente algo de muito grave lhe tiver acontecido na vida (temos o caso do brilhante Richard Dennis após o falecimento do seu pai, por exemplo). Como é que podes evitar isso? Em meu entender um trader sozinho não o pode fazer. A única solução é ser profissional e fazer parte de uma equipa onde existe um controlo inter-pares e de um gestor. Só desta forma se consegue garantir que um acontecimento exógeno não afectará de forma determinante a actividade.

    A última questão é interessante mas não sei se existe uma resposta correcta. O bom senso diz-me que o montante alocado a uma estratégia de risco como os futuros deve ser sempre (em todo o tempo) uma pequena parte do teu património familiar. Posto isto, dependendo da tua idade e outros projectos de vida penso que a certa altura poderás passar, naturalmente, a fazer o contrário, ou seja, ir retirando algum proveito do teu trabalho acumulado ao longo dos anos. Mais do que colocar a prazo. Ou seja, em aplicações seguras deve estar sempre o essencial da família. Em risco ou alto risco uma pequena parte.

    Canguru:

    Não concordo nada que o preço esteja para o trading como os clientes, concorrentes, etc. Precisamente pela essência da questão: tu não podes controlar os clientes (obrigando-os a comprar o teu produto ou serviço), nem podes impedir que os teus concorrentes inovem, por exemplo, etc, etc, etc. Imagina que num negócio tradicional andaste a inovar durante anos e quando a tua empresa já está pronta para apresentar um produto novo no mercado o mundo atravessa uma crise como a actual? O mais provável é a tua empresa ir à falência. No entanto podes ter sido o empresário e gestor mais competente do mundo. Mas não controlas a conjuntura.

    Ao contrário, no trading, podes a qualquer momento decidir cortar as tuas perdas. No trading tudo depende de ti. Só de ti.

    E o gestor competente? Que foi durante anos tão competente como tu no trading? Tem culpa directa numa recessão económica desta dimensão? Penso que não… mas vai à falência! Porque não tem qualquer controlo sobre algumas variáveis fundamentais.

    Acho que fizeste a leitura errada: o facto de tudo depender de ti (das tuas decisões individuais face à variável preço de um activo) não quer dizer que SEJA FÁCIL! Antes pelo contrário, é bem mais difícil. Em caso de perda tu bem podes culpar o mercado mas ele não tem culpa nenhuma. A culpa é toda tua.

    Atenção que o trading não é nada fácil, antes pelo contrário. Eu sempre trabalhei por conta própria, já desenvolvi projectos de uma dimensão apreciável e devo dizer que o trading é um tremendo desafio intelectual. Sem sombra de dúvida, o maior desafio que enfrentei até hoje.

    Abraço,
    Tiago

  • canguru 04 / 03 / 2009 Reply

    Olá Tiago!

    Apenas para finalizar o nosso debate que, por mim falo, tem servido para me fazer pensar sobre a forma como nós podemos encarar os mercados. Parte do sucesso advém daí seguramente.

    Eu continuo firme e sem intenção de te convencer (até porque o meu objectivo não é de persuadir alguém) no que diz respeito ás comparações entre o trading e uma actividade empresarial. Evidentemente que não há números (ou se existem são lançados para o ar) de % de traders que saem do mercado, após arruinarem suas carteiras para podermos comparar com % de empresários mal sucedidos. Penso que aí encontramos a resposta à questão do que é mais difícil, o que aliás vai de encontro ao que pensas.

    Um abraço

    P.S. 1– Em jeito de conclusão, quero deixar claro que os vossos sites merecem sempre uma “espreitadela” da minha parte (a par do caldeirão), sempre que me é possível.

    P.S. 2 – Tiago, apanhei a tua sugestão e já tenho o “Trend Following” a caminho…

  • Tiago Esteves 05 / 03 / 2009 Reply

    Bom dia aos dois:)

    Tiago,muito interessante esse teu ponto de vista, uma vez mais. Olhas para os mercados com uma ambição ponderada e com rigor. Penso que é isso que falta a muitos traders amadores: a junção da ambição com o rigor.

    Quando se equipara um negócio tradicional ao trading, há desde logo uma diferença que me salta à vista. Esse rigor (ou seriedade) com que a experiência é encarada.

    Vejamos, quando alguém vai iniciar um negócio tradicional esforça-se ao máximo para que este seja lucrativo. O dinheiro que foi lá investido terá de ser recuperado, todos os esforços caminham nesse sentido. Nem pode existir outra forma de encarar esse ponto!
    Na iniciação ao trading, a primeira regra “consensual” é que o dinheiro lá colocado deverá ser um excedente, que não faça falta se for perdido. Eu concordo a 100% com isso, atenção! Mas o que acontece muitas vezes é que o trader se desleixa e não encara com a devida seriedade o “dinheiro que está preparado para perder”. Isso leva-o a quebrar as regras para tentar ganhar mais/mais depressa, não protegendo devidamente o seu capital.
    Acredito que muitos dos que pensam assim venham a servir para engrossar a estatística dos que não atingem o sucesso nos mercados. E acredito também que isso é possível de contornar, protegendo o capital investido como se ele fosse um bem essencial. Que, no fundo, não deixa de ser:)

    Grande abraço

  • Tiago Santos 05 / 03 / 2009 Reply

    Olá aos dois,

    Gostei das vossas últimas mensagens e estou globalmente de acordo.

    Basicamente a comparação que faço entre o trading e alguns negócios “tradicionais” não é para ser levada ao limite mas apenas para tentar demonstrar que no trading não é tudo sorte e azar nem o inverso é verdade nos outros negócios.

    E, também, transmitir o que o Tiago acabou já por focar: devemos encarar o trading com a seriedade de um negócio. Podemos pensar que somos, por exemplo, uma pequena companhia de seguros que está a assumir risco sendo que cada trade funcionaria como uma espécie de nova apólice (alguns clientes vão dar lucros e outros prejuízo).

    Ajuda a aceitar os erros com naturalidade e não propriamente como um erro mas como um factor natural do nosso negócio, o trading.

    Quando ao livro, Trend Following é, simplesmente, o melhor que li até hoje. O autor tem claros conhecimentos do que escreve e tem as ideias muito organizadas. Não tenho dúvidas que quem conseguir colocar a teoria em prática terá (muito) sucesso nos mercados. Mas não é nada fácil…

    Um abraço,
    Tiago

Deixe uma resposta