Porque estão errados os anticapitalistas?

Cristiano Santos

Primeiro erro, talvez o mais comum e que leva muitos a serem anticapitalistas, a excessiva veneração pelo dinheiro, o culto ou a idolatria pela riqueza. O capitalismo quando é verdadeiramente liberal, não interfere na vida do indivíduo nem nas suas vontades pessoais, mas não quer dizer que essas vontades pessoais definam todo um sistema económico. Traduzindo isto por miúdos, o capitalismo não proíbe (e bem) ninguém de viver a sua vida em função da acumulação de riqueza e de ser “escravo” do dinheiro, mas não é isso que define o capitalismo. O que define o capitalismo é o respeito pela propriedade privada, a economia de mercado e a livre concorrência e a possibilidade de se trocar aquilo que não se quer ou que não se precisa, por aquilo que se quer ou por aquilo que se precisa.

Segundo erro, o capitalismo multiplica o número de pobres, sensivelmente na mesma proporção que multiplica o número de ricos. Ora, este erro é tremendo e é difícil para mim perceber como há tanta gente a acreditar nele. A concentração de riqueza não aumenta o número de pobres. Hoje todos somos muito mais ricos do que há cem anos atrás. A riqueza não é algo finito que ou pertence a uns ou pertence a outros, ela multiplica-se e quanto mais ricos existirem através de uma maior criação de riqueza, mais fácil é para qualquer um enriquecer. Um exemplo que desfaz esse argumento, De acordo com o Banco Mundial, entre 1990 a 2015, a percentagem de população a viver na extrema pobreza passou de 36% para 10% da população mundial, com uma queda média de um ponto percentual ao ano, ao mesmo tempo que o número de multimilionários é maior do que nunca e cresce (ainda bem) sem parar!  Ou seja, a pobreza está a diminuir, ao mesmo tempo que os milionários estão a aumentar.

Terceiro erro, o capitalismo leva à desigualdade e sendo assim deve-se buscar um sistema alternativo, ou ser-se anticapitalista. Primeiro, desigualdade não é sinónimo de pobreza. Uma sociedade pode ser muito desigual e mesmo assim serem todos ricos. Segundo, ainda bem que há desigualdade! A busca pela riqueza, a demanda pelo triunfo e pelo conhecimento é que permite que surjam inovações, que se descubra, que se produza, enfim, que toda uma sociedade progrida. Sociedades economicamente mais livres, serão sempre tendencialmente mais prósperas. Sociedades que procuram a igualdade não são atractivas para talentos, pois não recompensam o talento de forma diferenciada, nem há estimulo para o progresso. Portugal triunfará novamente como o fez no passado, ao atrair talento e inteligência e não a hostilizá-lo. Para atrair talento é preciso recompensa-lo. É impressionante como esquecemos as lições do passado, as lições da nossa própria história. Portugal triunfou quando um Rei denominado D. Dinis, ao mesmo tempo que pela Europa fora se perseguia a elite intelectual da altura, os templários, D. Dinis pelo contrário acolheu-os, recompensou-os e eles ajudaram juntamente com outros, a que Portugal se tornasse uma potência mundial. 


O capitalismo não sendo deturpado pela corrupção, ou pelos Estados, é a verdadeira força revolucionária da humanidade. 

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