Presidente da CGD diz que competitividade depende de mudanças

Agência Lusa

Agência Lusa

, Notícias

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos disse hoje compreender as preocupações dos trabalhadores quanto ao futuro do banco, mas insistiu que as mudanças mais contestadas na reestruturação em curso são decisivas para a competitividade da instituição.

“Percebemos os seus anseios, mas ao mesmo tempo também percebemos que os trabalhadores da Caixa têm que ter condições convergentes com os outros bancos, porque só assim é que a CGD pode ser competitiva”, defendeu Paulo Macedo à margem do encontro “Caixa fora da Caixa”, que reuniu cerca de 4.000 quadros da instituição no Europarque, em Santa Maria da Feira.

Relativizando a importância do protesto desta manhã à entrada desse centro de congressos comparativamente à “maior reunião de sempre” de quadros da CGD no interior do recinto, o presidente executivo do banco público admite que não será possível agradar a todos quando se verifica, por exemplo, que, por um lado, “as pessoas têm alguma resistência em pagar comissões à Caixa e, por outro, o nível das taxas de juro é o mais baixo de sempre”.

Paulo Macedo admite que “pode sempre haver melhor diálogo e coisas a acertar”, mas defende que “o pano de fundo” a reter é que, “após vários anos de prejuízo, em 2017 a CGD deu lucros” de 51,9 milhões de euros.

Quanto aos cortes de pessoal previstos na reestruturação e sobre os quais os sindicatos se dizem em “apagão total”, Paulo Macedo contesta a acusação, referindo que no último ano participou pessoalmente em “mais de 12 reuniões com comissões de trabalhadores e sindicatos” e realçando que não haverá qualquer “despedimento”.

O que o plano de redução de pessoal da CGD prevê é “uma proposta de rescisões por mútuo acordo e outra por antecipação de reformas” – sendo que esta última é “extremamente vantajosa no cenário português” e contribuiu para que tenham recorrido aos dois programas “muitos mais trabalhadores do que o objetivo traçado”.

Os funcionários que se mantiverem ao serviço da instituição devem contar, contudo, com um novo formato de negociação salarial: “Está em cima da mesa a vontade de, pela primeira vez em vários anos, voltarmos nós a negociar a tabela salarial, à semelhança de todos os outros bancos”.

Quanto ao ambiente intimidatório e à pressão pelo cumprimento de objetivos a que os sindicatos se referiram no protesto da manhã, Paulo Macedo desvalorizou a acusação, dando a entender que desse grau de exigência também dependem as condições remuneratórias dos trabalhadores.

“A Caixa tem as melhores condições da banca portuguesa e das melhores entre quaisquer empresas em Portugal”, afirmou o presidente executivo do banco.

“Paga cerca de 20% acima da tabela salarial dos outros bancos, tem um sistema de reformas que não tem igual nem no setor público nem no setor privado da banca, um sistema de pensões que é também bastante mais generoso e ainda um conjunto de serviços sociais e um acordo de empresa com benefícios muito acima [da média]”, garantiu.

Paulo Macedo notou, aliás, que em 2017 “foram promovidas mais de 2.400 pessoas” na CGD e que, na generalidade, o aumento salarial interno foi de 1,2 a 1,5%, o que representa condições muitíssimo positivas e acima da média de qualquer empresa”.

AYC // PMC

Lusa/Fim

Deixe uma resposta