PR/EUA: Marcelo crítico do protecionismo comercial e da negação de alterações climáticas

Agência Lusa

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O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, tem sido um crítico do protecionismo comercial e da negação dos efeitos das alterações climáticas, embora procurando desdramatizar e manifestando-se convicto de que estas posições não irão vingar.

Antes de Donald Trump assumir funções como Presidente dos Estados Unidos, em finais de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa ressalvava que era “muito difícil ter posições muito claras” sobre a futura administração norte-americana, mas já alertava para “sinais de algum isolacionismo económico, ou, pelo menos, de algum protecionismo económico”.

A confirmar-se, “isso terá consequências no comércio internacional”, advertia o chefe de Estado português, fazendo votos para que os Estados Unidos da América “compreendam a importância da União Europeia como um aliado fundamental, nalguns aspetos, insubstituível”.

Na manhã seguinte às eleições presidenciais norte-americanas de 08 de novembro de 2016, que Donald Trump venceu, contra Hillary Clinton, Marcelo Rebelo de Sousa enviou-lhe uma “mensagem de felicitações”, desejando-lhe “sucesso no exercício das funções”.

Depois, em declarações aos jornalistas, afirmou esperar que Donald Trump, como próximo Presidente dos Estados Unidos, “dê continuidade a uma grande história e a uma grande democracia”, bem como à “magnífica amizade” com Portugal, com consideração pelo peso da comunidade lusodescendente.

Os dois falaram por telefone no dia 12 de janeiro de 2017, sobre o relacionamento histórico bilateral e a Base das Lajes, nos Açores, onde os Estados Unidos foram reduzindo a sua presença militar, numa conversa que durou 12 minutos, segundo fonte da Presidência portuguesa.

Em 25 de janeiro, o Presidente português foi questionado sobre a nova administração norte-americana chefiada por Donald Trump, que tinha tomado posse há cinco dias, e respondeu com prudência, defendendo que ainda era “muito difícil e até mesmo insensato estar a fazer comentários definitivos”.

No início de fevereiro de 2017, interrogado sobre o distanciamento de Trump face à Europa, relativizou a situação, com o argumento de que “há uma tradição de muitos presidentes [norte-americanos] quando começam funções de serem isolacionistas”, mas depois, com o tempo, “arrepiam caminho”.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu que se olhe para a História e “não apenas para a véspera” antes de se formular juízos sobre a presidência de Trump, que, no seu entender, também seguirá esse caminho, porque “há coisas que são incontornáveis”.

O chefe de Estado português continuou, contudo, a repetir, em diversas ocasiões, a sua oposição ao “regresso do protecionismo comercial”, por exemplo, ao lado do Presidente dos Estados Unidos Mexicanos, Enrique Peña Nieto, durante a sua visita de Estado ao México, em julho de 2017.

Marcelo e Peña Nieto declararam-se unidos pelo comércio livre, o multilateralismo e pela preocupação com as alterações climáticas.

O Presidente português, no entanto, considerou que “não há que temer protecionismo comercial”, porque “na hora da verdade vai ser tímido”.

No que respeita às alterações climáticas, quando Donald Trump anunciou que os Estados Unidos iriam abandonar o Acordo de Paris, em junho do ano passado, Marcelo Rebelo de Sousa teve uma mensagem semelhante, alegando que, a prazo, a realidade “se vai impor”.

“É uma evidência tão óbvia a necessidade de olhar para as alterações climáticas que bem pode haver quem se considere importantíssimo no mundo, que negue isso, que não altera a realidade. A realidade é o que é. E vai ser o que é, e não para por causa de uma posição isolada, por muito importante que se considere”, reagiu.

Lamentando a posição dos Estados Unidos, comparou: “É como achar que se pode tapar o sol com o dedo – o sol está lá e o dedo não tapa o sol –, ou como o defender que o sol anda à volta da terra e não a terra à volta do sol”.

Já este ano, na sua mensagem de ano novo, o chefe do Estado descreveu 2017 como um ano “estranho e contraditório” no mundo, com “preocupantes ameaças de tensão e protecionismo, pondo à prova a paciência e a sensatez de muitos, e, em particular, do secretário-geral da ONU, António Guterres”.

Com o decurso da presidência de Donald Trump – que entretanto concretizou a aplicação de taxas às importações de aço e de alumínio da União Europeia, do México e do Canadá, e anunciou igualmente novas tarifas sobre importações da China – Marcelo Rebelo de Sousa intensificou as suas críticas ao protecionismo.

Em março deste ano, mostrou-se preocupado com o impacto da política comercial norte-americana: “Há realidades que não controlamos. Não controlamos o que se vai passar com a política americana de aumentar as taxas sobre as importações de produtos europeus e, portanto, ser mais protecionista. Isso pode prejudicar a Europa”.

Em abril, manifestava a esperança de que essa política não se concretizasse “em relação à União Europeia, desde logo”, e em geral.

“Penso que é importante não haver essa escalada, para a paz no mundo”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, frisando que “Portugal tem uma posição muito clara” nesta matéria, “contra protecionismos comerciais e fiscais”.

No mês passado, o chefe de Estado usou um tom mais grave: “O conjunturalismo eleitoral, o imediato e o subsequente, não deve comprometer visões de médio e longo prazo, para as quais o comércio aberto e a aliança entre os Estados Unidos e a União Europeia – digo bem, a União Europeia, e não fragmentos dela – têm uma importância nuclear”.

“Sobretudo para quem diga querer evitar excessivos avanços asiáticos no Ocidente e manter viva e operacional a Aliança Atlântica. Os sinais dos últimos tempos são preocupantes e só admira como não tiveram efeitos mais graves”, completou.

IEL // JPS

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