Provedor da Santa Casa de Lisboa recusa que investimento no Montepio seja “aventura”

Agência Lusa

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O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Edmundo Martinho, disse hoje no parlamento que o investimento na Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) não será qualquer “aventura” mas que resulta de estudo e prudência.

“Não estamos em nenhuma aventura, aventura já tivemos, e grandes, no passado e com impactos muito significativos na Santa Casa”, disse Edmundo Martinho, na comissão parlamentar de Trabalho, acrescentando que o investimento no banco Montepio se fará depois de “muito estudo” e “prudência” e na “defesa de uma instituição bancária” do setor da economia social.

Segundo o provedor, em causa está a possibilidade de a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ficar com 1% do capital do banco Montepio em troca no máximo de 18 milhões de euros.

Além disso, afirmou, a “Caixa Económica Montepio Geral não é um banco qualquer”, uma vez que é propriedade de 600 mil pessoas (os associados da Associação Mutualista Montepio Geral, único acionista da CEMG), e considerou importante o investimento do ponto de vista financeiro mas também estratégico uma vez que contribui para consolidar o setor da economia social.

O provedor referiu ainda que no passado houve investimentos muito maiores da SCML, caso da compra de ações do banco BCP, dos CTT – Correios de Portugal e da REN, que não causaram debate e que tiveram mesmo o apoio da tutela, que então era representada por pessoas que hoje estão contra este negócio com o Montepio.

“Investimentos financeiros no passado não suscitaram uma discussão com tanto fulgor e representaram ativos próximos de 35% da SCML”, afirmou Edmundo Martinho.

Esta audição foi pedida pelo PSD, cujo deputado Adão Silva disse hoje que o partido “tudo fará para obstar o investimento da SCML” no banco Montepio.

Nos últimos meses foi muito falada a possibilidade de a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entrar no capital do banco Montepio, nomeadamente através de uma participação de 10% do capital social em troca de um investimento de cerca de 200 milhões de euros.

Esse montante foi muito polémico e agora o valor referido é mais abaixo.

Além da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa deverão entrar no capital do banco Montepio outras instituições de solidariedade social de todo o país, ainda que sobretudo com participações simbólicas.

O presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, Tomás Correia, tem dito que a entrada de instituições da economia social no banco é o primeiro passo para criar “um grande grupo financeiro da economia social”.

IM // JNM

Lusa/fim

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