Quartos para estudantes geram novos negócios em Bragança

Agência Lusa

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O crescimento do número de estudantes no Instituto Politécnico de Bragança (IPB) está a gerar novos negócios numa cidade onde há muita casa vazia em paralelo com dificuldades no arrendamento.

A constatação é feita pelo presidente do instituto, Orlando Rodrigues, que falou à Lusa das novas empresas criadas no seio do próprio politécnico que angariam quartos para arrendar e prestam serviços a estudantes, sobretudo estrangeiros, que são quase um terço dos cerca de oito mil alunos.

“A nossa cidade [Bragança] tem muito alojamento, há muita casa vazia, o alojamento é barato comparado com o resto do país, mas o alojamento a estudantes tem algumas especificidades: as pessoas ou já estão no mercado e têm tudo preparado e estão habituados a passar recibo, etc, ou hesitam muito em pôr as casas no mercado porque têm medo dos estragos, do ruído, das questões fiscais em volta disso”, observou o presidente do IPB.

Têm, contudo, aparecido projetos inovadores que têm feito a mediação entre os proprietários e os alunos, como duas empresas criadas por ex-alunos.

“São empresas que alugam apartamentos aos proprietários e depois na figura jurídica do alojamento local disponibilizam por curtos períodos aos estudantes e fazem a intermediação entre os proprietários e os estudantes, ou seja, mesmo que sejam os proprietários a arrendar e a tratar de todas as coisas, o que eles fazem é ir buscar os alunos ao aeroporto, mobilar os apartamentos com alguma mobília básica e padronizado de modo a que os preços sejam sempre os mesmos”, contou.

A mais antiga dessas empresas tem uma carteira com cerca de 80 casas o que equivale a algumas centenas de quartos. O responsável não respondeu ao pedido de entrevista da Lusa.

A mais recente foi criada já neste ano letivo por Óscar Monteiro, um ex-aluno cabo-verdiano que arranca com cerca de 30 quartos para apoiar essencialmente os estudantes africanos.

Óscar decidiu ficar em Bragança depois de concluir a licenciatura e laçar o próprio negócio com o apoio do politécnico.

O propósito é facilitar a vida aos cerca de “250 a 350” estudantes africanos que todos os anos chegam a Bragança para estudar. Enquanto os portugueses chegam nos primeiros dias de setembro, os africanos só conseguem em outubro ou novembro por causa dos vistos, como indicou. A empresa irá assegurar que quando chegarem têm quarto para se instalar e sem a especulação imobiliária, prometeu.

“As imobiliárias, às vezes, pedem três meses de caução, pedem fiadores e os pais não podem ser porque não têm número de contribuinte português”, afirmou.

Óscar vincou que quando os estudantes africanos “construíram a “estrada” para Bragança era no sentido de ter o custo de vida mais baixo de Portugal e se os preços começarem a aumentar mais vale ir para as grandes cidades”.

“O interior é atrativo, se o custo de vida for baixo”, reiterou, apontando que atualmente é possível encontrar quartos em Bragança por “120 a 140 euros”. Há dois anos o preço era de 100 euros.

A especulação nos preços ocorre, sobretudo no início do ano letivo e tem tendência a estabilizar poucos meses depois, como constatou também o presidente da Associação Académica, Ricardo Cordeiro.

Ninguém sabe quantos alunos do IPB estão alojados em quartos. Apenas dão como certo que “é a maior parte”.

Apesar de haver dificuldades, o presidente da associação académica garantiu que “ninguém fica sem quarto”.

“As pessoas estavam habituadas a chegar e a encontrar quarto facilmente, hoje em dia têm de procurar mais longe”.

Ainda há, porém, que não tenha dificuldade, como foi o caso de Miguel Sousa que conseguiu arranjar quarto exatamente no dia em que chegou de Viana do Castela a Bragança para se matricular em Biologia e Biotecnologia, na Escola Superior Agrária.

Está a pagar “120 euros por uma sala adaptada para quarto individual” a que acrescentem outras despesas com a habitação como a água e eletricidade. Está “a cinco minutos da escola e o proprietário passa recibo”.

Mais difícil foi para Inês Esteves de Valpaços que andou desde junho à procura de quarto. Conseguiu um por “100 euros” a duas semanas de começarem as aulas no curso de Cuidados Veterinários.

Partilha o primeiro andar de uma moradia, próxima do campus académico, com mais três raparigas, sem direito a sala, também transformada em quarto.

HFI // MSP

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