Quem entra e quem sai do PSI20? Antes de mais, as regras

Tiago Esteves
No próximo dia 21 de Março será feita uma revisão do PSI20 de forma a ajustar as suas constituíntes. E, pela primeira vez, serão tidas em consideração as regras alteradas em Agosto passado pela Euronext. Tendo havido na comunicação social “da especialidade” diversas notícias contraditórias (como o anúncio de saída da REN) e algumas erradas (como a possibilidade de se ver o PSI20 reduzido a 17 empresas), decidi analisar a fonte primária e reflectir um pouco sobre o que pode acontecer. Há algumas alterações significativas, que passo a enumerar:

O factor mais relevante para a inclusão de um título no índice deixa de ser o volume de negociação e passa a ser o Free Float Market Capitalization (FFMC). Significado? Significa que, a partir de agora, o que conta são as acções dispersas em bolsa que uma determinada empresa tem. Não o seu valor total mas apenas o que está disperso em bolsa e livre para negociação. Olhem o caso da Cimpor, que tem uma capitalização superior a 1800 milhões mas só tem 5,9% de free float. Significa isso que terá cerca de 100 milhões de euros dispersos em mercado.

– O segundo factor a ter em conta passa a ser a obrigatoriedade (ou quase) de negociar com um mínimo de 100 milhões de Euros em mercado. Significado? Todas (ou quase, já lá iremos) as acções com menos de 100 milhões de euros dispersos vão ser remetidas para o PSI Geral.

– O terceiro factor de relevo passa a ser o mínimo de 15% de FFMC para a eligibilidade. Significado? Imagine-se o caso da Cimpor, que até poderia ter mais de 100 milhões dispersos em bolsa e ser uma das empresas com esse valor mais elevado. Não poderia entrar no PSI20 porque só 5,9% do seu capital está disperso em bolsa.

– O quarto factor é o número variável de constituíntes. Significa isso que poderemos ter um PSI20 com menos de 20 empresas, se não houver 20 empresas com mais de 100 milhões de euros em FFMC. Mas (e este ponto tem sido ignorado pela comunicação social) o número de constituíntes não poderá ser superior a 20 nem inferior a 18! Se houver menos de 18 empresas com 100 milhões de FFMC, esquece-se esse pormenor e integram-se empresas com FFMC abaixo dos 100 milhões. 


– A velocidade de rotação mínima passa de 10% para 25%. Significa isso que têm de mudar de mãos em média (no mínimo) 25% das acções disponíveis para negociação ao longo de um período de 12 meses. Importante considerar que quando uma acção é admitida à negociação, os primeiros 20 dias não entram no cálculo.  Existindo entre nós duas novas cotadas, este poderá ser um factor relevante.


(mais uma regra que tem sido ignorada pelos “especialistas”) Para efeitos da eligibilidade, é feito um ranking com base no FFMC, excluíndo os títulos que não cumpram os requisitos anteriormente anunciados. As 18 primeiras qualificadas entram directamente para o PSI. Nas últimas duas o apuramento não é matemático, sendo dada preferência às acções que já constituam o índice antes da revisão, a menos que estas estejam listadas abaixo do 22º lugar! Significado? Podemos ter uma acção do PSI geral com um FFMC superior a uma das já integrantes no PSI 20, não significando isso que a substituição seja automática.

 – Nas revisões trimestrais só há lugar a alterações se alguma cotada que esteja de fora entrar para o top 15 ou se o índice ficar reduzido a menos de 18 empresas. Este não precisa de explicação…

Tendo tudo isto em consideração podemos concluir que afinal o processo não é assim tão linear como o pintam! Como o post já vai longo e como ainda falta um mês para a revisão vou deixar o meu prognóstico para o “onze titular” e o impacto desta revisão na negociação para outra ocasião. Entretanto, não acreditem em todas as notícias que saem nos jornais… Que eu saiba, até porque não faria sentido, a CMVM não confirmou ainda a lista de entradas e saídas para esta revisão.

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