Receitas da Huawei crescem 39% apesar de ofensiva de Washington

Agência Lusa

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A gigante chinesa das telecomunicações Huawei anunciou hoje um aumento homólogo das receitas de 39%, no primeiro trimestre do ano, apesar da pressão de Washington para conter a empresa, por alegados riscos para a segurança.

Num comunicado divulgado na sua página oficial, a maior fabricante mundial de equipamentos de rede revela ter faturado 179,7 mil milhões de yuan (23,8 mil milhões de euros), entre janeiro e março.

No mesmo período, a empresa vendeu 59 milhões de ‘smartphones’. Caso mantenha esta tendência no conjunto do ano, a Huawei aumentará as suas vendas em 30 milhões de aparelhos.

Estes resultados acontecem apesar de os Estados Unidos estarem a pressionar vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei na construção de infraestruturas para redes de quinta geração (5G), a Internet do futuro, acusando a empresa de estar sujeita a cooperar com os serviços de informação chineses.

Austrália, Nova Zelândia e Japão aderiram já aos apelos de Washington e restringiram a participação da Huawei.

Sem referir as acusações, a empresa assegura em comunicado que o aumento das receitas até março se deve a ter “mantido o foco nas infraestruturas para tecnologia de informação e comunicação e em dispositivos inteligentes”.

Na semana passada, a empresa revelou ter garantido já 40 contratos com operadoras em todo o mundo, para desenvolver redes 5G, mais de metade na Europa.

Fundada por um antigo engenheiro das Forças Armadas chinesas, em 1987, a Huawei é uma empresa privada, mas divulga os resultados visando acalmar preocupações com a segurança.

A empresa não detalhou a margem de lucro alcançada no último trimestre, mas revelou um aumento de 8%, face ao mesmo período do ano passado.

Com base nos resultados do ano anterior, os lucros serão de 14,4 mil milhões de yuan (1,8 mil milhões de euros).

No ano passado, as vendas da empresa registaram uma subida homóloga de 19,5%, para 721,2 mil milhões de yuan (94,8 mil milhões de euros), impulsionadas por ganhos de dois dígitos nas unidades para consumidores e corporações.

No entanto, as vendas para operadoras de telecomunicações e Internet fixaram-se no mesmo valor do ano anterior, em 294 mil milhões de yuans (55,4 mil milhões de euros).

Na semana passada, Ken Hu, presidente executivo (CEO) da Huawei, previu um crescimento de “pelo menos 10%” nas vendas para operadoras de telecomunicações e Internet, em 2020, à medida que as redes de 5G ganham ímpeto.

O responsável revelou que a empresa vendeu já 45.000 estações base para o 5G e que espera que 6,5 milhões de estações tenham sido implantadas em todo o mundo, até 2025, abrangendo 2.800 milhões de pessoas.

As redes sem fio 5G destinam-se a conectar carros autónomos, fábricas automatizadas, equipamento médico e centrais elétricas.

“O 5G não é apenas mais rápido do que o 4G: é uma revolução na conectividade, que tornará tudo possível ‘online’, em qualquer altura, proporcionando uma conectividade verdadeiramente omnipresente”, afirmou Ken Hu.

Em dezembro do ano passado, durante a visita a Lisboa do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado entre a Altice e a empresa chinesa um acordo para o desenvolvimento da próxima geração da rede móvel no mercado português.

JPI // HB

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