Resposta ao tópico sobre as evidências/convicções…

Tiago Esteves

Em épocas de turbulência e volatilidade, é normal surgirem dúvidas sobre o destino do mercado. E é normal colocarmos em causa a nossa visão sobre o mesmo. Afinal, se todos estão a olhar para um lado, porque é que nós ainda estamos a olhar para o lado contrário? De quem é o problema? Definitivamente nosso, falta de confiança. Nas evidências ou nas convicções? Ora aí está o cerne da questão.
Cheguei à conclusão (suportada pelas opiniões que me foram dadas por forenses pelos quais tenho muita consideração) que para termos uma convicção sustentada, ela tem de ser baseada em evidências. Sejam elas de que natureza forem (entenda-se fundamentais ou técnicas). Se não forem baseadas em evidências, deixamos de poder falar em convicções e passamos ao campo da esperança. E se cairmos no erro de confundir esperança com convicções, podemos estar a condicionar os nossos próprios mecanismos de actuação nos mercados.

Como é sabido, eu baseio-me sobretudo na análise técnica. Quando escrevi o outro artigo, estavam em curso diversos padrões de inversão ainda por activar. Se eles tivessem sido activados, a minha visão do mercado neste momento seria provavelmente diferente. Porque se tivessem sido activadas massivamente, seria um sinal de inversão dos mercados. Pois só com condições claramente favoráveis duas dezenas de H&S de reversão se activariam com volume significativo. Isso implicaria entrada de capital novamente nos mercados, o que por sua vez significava um aumento de confiança, o que poderia marcar o início de um novo bull.
Há um aspecto relativo aos H&S de continuação muito importante de salientar (mais uma vez!!). Só se pode falar no padrão depois de ele ser activado, antes disso é apenas uma teoria que não devemos descurar e para a qual tem de haver sempre um plano B. Nos casos a que eu tinha assistido não houve de facto activação do padrão. A Neckline foi mais forte e fez com que a batalha pendesse para o lado dos ursos. Em alguns deles, a cotação nem chegou a re-testar essa importante marca.

Se uma H&S não é activada, existe uma forma simples de ver quando é que a situação tende para desencaminhar. Quando a LTa traçada entre a cabeça e o ombro direito é quebrada em baixa. Muitas vezes até é possível traçar uma espécie de canal com os elementos da cabeça, e quando é quebrado temos o nosso sinal de fuga. Mas, com uma importante diferença! Enquanto um canal não tem um limite teórico para ser concluído, aqui, se a neckline for ultrapassada em alta com volumes significativos dá-se a activação do padrão. E o cenário altera-se radicalmente.
Nos casos apresentados, um padrão de continuação bearish acabou por ser quebrado em baixa com volume crescente. Pelo caminho, ainda conseguiu quebrar um suporte significativo com bastante facilidade.

Escolhi este exemplo como poderia ter escolhido qualquer outro. É este o reflexo de um esgar de esperança mais uma vez adiada. Os padrões de reversão podem ser convertidos em padrões de continuação, caso a sua activação fracasse. Daí a importância de termos um plano de recurso e a flexibilidade mental de nos colocarmos rapidamente do lado que mais nos convém, seja ele o lado comprado ou vendido.
Essa é uma das grandes vantagens da AT em relação à AF, a possibilidade de acompanharmos o mercado/títulos individuais pelo lado que mais nos convém, sem “casamentos”. Se é perigoso e subjectivo? Sim, na maioria dos casos sim.
Tivesse eu um sistema mecânico e objectivo que me permitisse avaliar os sinais e sintomas do mercado, e não me sentiria perdido nos momentos de lateralização e rallys contrários à tendência principal. Assim, dependo de mim próprio, estando fortemente exposto ao canto da sereia com que tantas vezes o mercado nos assombra.

Para terminar, ficam as imagens ilustrativas da situação que retratei. Primeiro o potencial H&S e depois o padrão bearish. E ambos desenhados tendo por base a mesma imagem:)

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