Santander – Uma análise ao banco que é quase português

Tiago Esteves
Em substituição ao Banif, que por motivos trágicos deixou de fazer parte da minha shortlist de análise à banca, decidi introduzir desta vez o Santander para o substituir. Não, não foi por ironia da desgraça! Há três motivos bastante válidos para o fazer:

1 – O Santander foi, sem dúvida, o maior beneficiado com a situação Banif. Ficando ainda por esclarecer se vão ou não conseguir parte dos créditos fiscais herdados, os benefícios acrescidos potenciais são sem dúvida superiores aos prejuízos ocultos. Esses ficam por cá…
2 – O Santander é actualmente o segundo maior banco privado a actuar em Portugal, com uma quota de mercado de 15%.
3 – A idiotice cometida pelo banco de Portugal com as obrigações sénior do BES vai afectar muitíssimo os bancos Portugueses (nomeadamente o BCP) na altura do pleno regresso aos mercados. O Santander beneficiará disso.

Ora, passemos da análise retórica à técnica. Importa dizer antes de começar que aprecio bastante o Santander em termos técnicos. É rigoroso e previsível, o que facilita de sobremaneira a sua negociação. Depois de um mega duplo topo activado em Outubro de 2014, o banco tem vindo a perder valor de forma significativa. Já caiu, inclusive, mais de 50% desde máximos e não se notam ainda sinais de abrandamento. Pelo contrário, a projecção do padrão de continuação activado no último dia de 2015 aponta para a continuação das quedas até à zona dos 3,8€. Ora, quer com isto parecer que o Santander está longe de ser para já uma oportunidade de compra.

Analisando o passado recente, não tenho dúvidas que deverá surgir em breve um ressalto semelhante ao de Outubro. Com isto em mente, é importante recordar que os bear markets (acho que nesta fase já ninguém tem dúvidas que estamos num) são característicos por fortes ressaltos ascendentes conhecidos como Bull traps (por apanharem os mais optimistas desprevenidos). Para já, a minha referência de negociação está muito longe, nos 4,8€. Haverá no entanto, com elevado grau de probabilidade, oportunidade suficiente para comprar antes dessa marca caso se confirme uma inversão de sentimento. Para já, o gráfico não deixa quaisquer dúvidas. O mais prudente é deixá-la continuar a cair até que surjam sinais de inversão convincentes.

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