SEAT regista “óptimo ano, apesar das discussões” na Catalunha

Agência Lusa

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O fabricante automóvel SEAT, nascido em Barcelona, capital da Catalunha, registou um “ótimo ano” apesar das discussões políticas na região, com um dos vice-presidentes a sublinhar que a estabilidade é “bom para toda a gente”.

“Tivemos um ótimo ano, apesar das discussões políticas sobre a [autonomia da] Catalunha. Nós não somos políticos. Somos excelentes fabricantes de carros e não tivemos consequências internacionais ou nacionais. Em Espanha, somos líderes de mercado, crescemos 20%”, sublinhou à agência Lusa, o vice-presidente de Marketing e Vendas da SEAT, Wayne Griffiths.

“Mas obviamente que gostamos de estar num ambiente económico estável, seja em relação ao ‘Brexit’ ou aos Estados Unidos. Qualquer coisa que crie estabilidade na economia é melhor para os negócios, para toda a gente. Tudo o que crie instabilidade não é bom”, concluiu.

Apesar de a marca do grupo Volkswagen não estar presente nos Estados Unidos, onde a administração Trump tem desenhado taxas a importações, Griffiths referiu à Lusa que “instabilidade na relação económica não é boa, pelo que seria bom encontrar uma solução”.

Em relação à saída do Reino Unido da União Europeia (‘Brexit’), votada em referendo popular e prevista para março de 2019, o responsável desejou que se alcance um “bom acordo” comercial.

As declarações aconteceram no âmbito da apresentação mundial do novo SUV (utilitário com características desportivas) da SEAT, o Tarraco, que se junta assim à gama dos modelos Arona e Ateca.

No evento, que decorreu na cidade espanhola de Tarragona, que nos tempos da Roma antiga se chamava de Tarraco, o presidente da SEAT, Luca de Meo, garantiu que 2018 será novamente ano de recordes para a marca.

Também Wayne Griffiths registou o crescimento da marca a dois dígitos na Europa, incluindo Portugal, onde de janeiro a agosto houve um crescimento de 24,5% nas vendas para um total de 7.373 unidades.

Na base das subidas está uma “estratégia de produto forte”, na qual entra o novo modelo, que se posiciona num segmento em crescimento e com “grande potencial em termos de novos clientes” para a SEAT, acrescentou Griffiths.

“Queremos conquistar 70% de novos clientes com carro”, que diversifica a oferta da marca em termos de tamanho, intervalos de preço e “apelo emocional”, mas com o foco a continuar nos “consumidores jovens e design”.

“A idade descreve-se em termos de idade ou de atitude”, explicou o responsável, garantindo que a marca ‘made in Barcelona’ é “jovem”.

Sobre os tipos de combustíveis a usar e à luz das polémicas com o ‘diesel’, Griffiths considerou à Lusa que o gasóleo continua a ser “muito eficaz e eficiente” e com as novas tecnologias utilizadas “muito limpo” e “com baixos consumos”.

O vice-presidente elencou alternativas que a SEAT tem e o lançamento de um veículo totalmente elétrico em 2020.

Até agosto, a SEAT vendeu, globalmente, 383.900 automóveis, num crescimento de 21,9%, na comparação homóloga, batendo o anterior recorde de 2000 de comercialização de 357.300 veículos.

No mês passado, a marca anunciou ter “completado o melhor agosto da sua história”, com a venda de 41.200 unidades, num crescimento de 38,9%, face à entrada em vigor das novas normas europeias sobre motores e emissões (WLTP).

Wayne Griffiths não acredita que as regras façam elevar o preço dos carros, referindo antes o “desafio” colocado à indústria para garantir as homologações necessárias e que a SEAT tem quase esse trabalhado terminado.

Ainda no futuro, o dirigente acredita que se prefira pagar o uso de carros e não a sua propriedade, como se adivinha já com o modelo de partilha de carros, onde a SEAT também está presente e que a “grande disrupção na indústria automóvel” será quando existirem carros elétricos, conectados e partilhados.

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