Sell In May And Go Away? – Mota Engil

Tiago Esteves
Tendo eu já analisado com dados concretos que o adágio “sell in may and go away” tem um fundo de verdade, é tempo de reflectir sob a minha única posição no mercado português – a Mota Engil. Em menos de um ano esta posição mais do que duplicou o seu valor e ainda me foi distribuído um dividendo correspondente a 10% de yield (referente ao valor de compra).
Mas surgem agora alguns sinais preocupantes no horizonte que me levarão a fechar esta posição.

O primeiro sinal, mais subtil, está relacionado com o distanciamento à LT de médio prazo que se formou com esta tendência ascendente. A distância entre o terceiro e o quarto toque é desproporcional à média anterior, bem como a percentagem de subida associada nesse período. Diz-nos a teoria que isso é um sinal de fraqueza da linha e que a possibilidade de quebra em baixa é considerável.

O segundo sinal, ainda hipotético, é a possível formação de um duplo topo. Apesar de continuar a ser uma mera possibilidade, afigura-se uma forte resistência que foi testada há pouco tempo com consideráveis sinais de força vendedora. A activar-se, este duplo topo significaria uma queda mínima de 45%, o que seria chato para a minha carteira.

O terceiro sinal vem do exterior. A força ascendente e os máximos renovados recentemente poderão sofrer uma acalmia, típica desta altura do ano. Não havendo ainda sinais internos de recuperação económica, a subida isolada do mercado português parece-me improvável. Provável será um arrastamento em baixa, sobretudo se a economia mundial continuar a abrandar.

Por estes três motivos pretendo encerrar a minha posição longa e abrir uma curta, pelo menos até a resistência ser quebrada em alta de forma consistente. O valor que tenho visto na Mota Engil, nomeadamente o seu potencial nos mercados externos, não é colocado em causa por esta mudança temporária de posição. Mas como já foi dito aqui tantas vezes, a paixão por uma posição pode ser inimiga da nossa bolsa, e ter flexibilidade para ajustar as posições à realidade que se forma é uma grande vantagem de longo prazo.

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