Sentimento de Mercado (03/11) – Impostos e FED dominam o sentimento

Marco Silva

Marco Silva

, Actualidade
Sessão interessante e bem movimentada a de ontem em Wall Street, com cerca de 20% de volume a mais em relação à média dos 20 dias. Diversos factores contribuíram para o corrupio de negócios, contudo a apresentação da proposta para a reforma fiscal nos EUA foi a que mais impacto causou. A começar pela habitual dança de cadeiras entre os sectores mais beneficiados e os mais prejudicados. Com a possibilidade de uma redução de 50% nos populares benefícios fiscais para a a habitação, o sector afecto à construção habitacional do S&P500 desvalorizou -2,5% enquanto que ambos os sectores relativos ao consumo encerraram o dia no vermelho, visto que tal corte deverá levar a menos disponibilidade financeira das famílias. Por outro lado, a componente de poupança financeira ou os famosos 401(K) ficou inalterada na proposta, o que permitiu ao grupo dos gestores de capital averbar ganhos. Outro ponto importante foi a redução da taxa de imposto para as empresas para os 20%, contudo a taxa de repatriamento de capital caiu para os 12%. Valor este que desiludiu os investidores, especialmente do sector tecnológico, grupo onde existem grandes somas de dinheiro parqueadas no estrangeiro à espera de uma oportunidade mais vantajosa para injectar esses montantes no sistema norte-americano. A Apple, por exemplo, divulgou ontem que detém $246 biliões fora de portas, ou 94% de todo o seu cash no balanço.
Por fim, foi confirmada a escolha de Jerome Powell, actual Governador do FED, para substituir Janet Yellen na presidência do banco central. Isso ajudou à recuperação do mercado, na medida em que Powell é visto como uma continuação da politica mais dovish seguida por Yellen. No final da sessão, apenas as tecnológicas não conseguiram reverter por completo das perdas, embora o Nasdaq tenha recuado apenas -0.02%. No Forex, a proposta para a reforma fiscal não foi favorável ao U.S dólar e a moeda norte-americana cedeu -0.3% contra um cabaz de outras moedas principais, o mesmo valor que recuou contra o Euro, para os $1.1651. No dia em que o Banco de Inglaterra subiu as suas taxas directoras pela primeira vez numa década, a moeda inglesa perdeu -1% de valor, devido à pouca probabilidade de tal vir a ser repetido no curto prazo. Até porque a decisão não foi consensual, uma vez que existe o receio acerca da capacidade da economia do Reino Unido enfrentar o Brexit sem uma disrupção económica significativa.
Para hoje todos os “olhares” estarão nos non-farm payrolls, dados que têm o poder de movimentar de forma acentuada os mercados, razão pela qual cautela é aconselhada na utilização de alavancagem.

 

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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