Sentimento de Mercado (06/11) – Apple salva o dia dos Bulls

Marco Silva

Marco Silva

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Não fosse a Apple (e em menor dimensão a Qualcomm) darem um impulso decisivo para o optimismo, e a sessão de sexta-feira poderia ter terminado de forma bem diferente. Isto porque os números dos non-farm payrolls foram, quanto muito, medianos a tender para a desilusã. Não obstante um aumento de 261,000 empregos, que em outra situação seria considerado um bom valor, e da taxa de desemprego ter caído para os 4,1%, ou o mínimo de 17 anos, o certo é que por detrás destes pontos, que fazem títulos de noticias, outros que costumam ser de importância secundária, desta feita causaram apreensão nos investidores. Primeiro porque a descida da taxa de desemprego foi devido à saída de um número muito significativo de cidadãos da força de trabalho e mais  relevante os rendimentos por hora ficaram bem abaixo das previsões, reforçando a conjectura que tem dominado nesta fase do crescimento económico norte-americano, nomeadamente o não acompanhar da melhoria dos ordenados, à medida da expansão do PIB, o que tem como consequências colocar um travão na inflação bem como no rendimento disponível das famílias para que estas possam gastar mais e assim continuar a suportar o crescimento das vendas das empresas. É um facto que muitos economistas e membros do FED têm referido como passageiro, mas que contudo, teima em não sair de cena e apesar de não dever alterar a decisão do FED de subir os juros em Dezembro, poderá muito bem diminuir o número de três subidas previstas para 2018, podendo assim condicionar a performance do U.S dólar no ano que vem.
Mas como referi inicialmente a Apple, que está a menos de 13% de se tornar na primeira empresa a ter uma capitalização de $1 trilião, impulsionou todos os indices norte-americanos para ganhos no dia, na semana e para novos máximos históricos, sendo que o Nasdaq foi o que melhor resultado obteve. No panorama geral da earnings season o cenário é para já bastante positivo, com cerca de 400 das 500 empresas do S&P500 a terem reportado, o aumento médio dos lucros está agora nos 8%, abaixo dos dois dígitos dos trimestres anteriores, mas ainda assim bem melhor que os 5.9% esperados no inicio do mês. No Forex destaque para a subida de 0.27% do U.S dólar, que apesar da queda inicial após a divulgação dos dados do emprego, foi “salvo” pelos números das ordens à indústria manufactureira, que cresceram 1,4% no mês transacto, permitindo assim suportar a semana com ganhos para a principal moeda mundial.
Nota para as declarações do Presidente do Banco Central Chinês, que pela segunda vez num curto espaço de tempo veio alertar para a existência de riscos financeiros perigosos e contagiosos, referindo a necessidade de maior controlo e regulação, bem como a necessidade de efectuar reformas e de maior abertura do mercado financeiro chinês ao exterior.

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