Sentimento de Mercado (27/10) – Euro afunda com BCE cauteloso

Marco Silva

Marco Silva

, Actualidade

Já era esperado que Mario Draghi utilizasse referências mais dovish nas suas declarações de ontem, ou seja de alguma flexibilização da normalização da politica monetária. Contudo, o presidente do BCE foi bem mais longe do que o mercado antecipava, e arrastou com isso o Euro para a maior desvalorização em cerca de 16 meses. Já era previsto uma redução do montante mensal no actual programa de compras, assim como a sua extensão. Foi o que aconteceu com um corte de 50% para os €30 mil milhões e um prolongamento das aquisições até Setembro de 2018. Do que os investidores não estavam à espera era de uma predisposição para uma continuação do mesmo para além desse período, bem como não existir sequer uma intenção de acabar pura e simplesmente com as compras. Nem mesmo com a aproximação dos limites que existem sobre os produtos que podem ser alvo dos estímulos, nomeadamente dívida pública soberana. Draghi referiu ainda que pode aumentar tanto os montantes como os prazos, e que os valores que se vão vencendo é para serem reinvestidos, o que só por si significa compras na ordem dos €15 mil milhões/mês.

 

Adicionalmente, o BCE irá continuar a providenciar ampla liquidez a custos muito reduzidos à banca europeia, pelo menos até 2019, “concluindo” que os juros baixos se irão manter por um tempo prolongado. Isto atira para daqui a cerca de dois anos a possibilidade do primeiro aumento dos juros. Por tudo isto não foi de estranhar que a moeda única tivesse recuado -1,4% para os $1.1648, até porque ficou ontem claro que os ritmos de normalização da politica monetária entre os dois principais bancos centrais estão bastante distantes. Pode mesmo afirmar-se que o BCE ainda está na fase de expansão monetária, enquanto o FED está a amadurecer o seu caminho de tightening. Factores estes que poderão condicionar o par EUR/USD nos próximos meses. Para já, a consequência imediata foi a quebra em baixa da linha dos ombros do Head&Shoulders que referi anteriormente, o que abre espaço a uma correcção mais acentuada, estando a mesma no entanto condicionada à escolha do próximo presidente do FED. Seja ele dovish ou hawkish, o que parece ser assente é que Yellen não fará o segundo mandato, algo pouco normal na história contemporânea do FED.

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

Deixe uma resposta