Sentimento de Mercado – Apple quebra ciclo de ganhos

Marco Silva

Marco Silva

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Tal como era relativamente expectável os Bears quebraram na sexta-feira a série bastante positiva dos Bulls iniciada na Terça-feira, e que durou por três sessões consecutivas, num rebound robusto e saudável após as quedas das semanas anteriores. Previsível porque já se sabendo da performance marcadamente negativa da Apple no after-hours e pré-market dificilmente o mercado iria ultrapassar o pessimismo deixando pela empresa mais valiosa do mundo e a que mais peso tem nos três principais índices de Wall Street, isto porque sendo ela também um barómetro do consumo dentro e fora dos EUA o aviso de que vendeu menos iphones no trimestre e de que as vendas na importantíssima época festiva irão ficar abaixo das estimativas anteriores, aliado a outros indícios de outras empresas sobre um possível pico nos earnings, despoletou nos investidores um cuidado adicional em prolongar o rebound.

Igualmente natural foram os relatórios contraditórios que saíram sobre um possível acordo na próxima reunião do G-20 entre Trump e o seu homologo chinês com vista à resolução do diferendo comercial, visto que com este Presidente norte-americano é mesmo melhor esperar para ver, neste caso, após uma notícia da Bloomberg que deu conta do pedido de Trump para um plano para a reunião, foi a vez de Larry Kudlow, principal conselheiro económico de Trump, destruir por completo todo o optimismo gerado nos dias anteriores, ao afirmar em declarações à CNBC de que não há qualquer plano a ser preparado para a reunião do final do mês, nem o presidente o requereu, referindo que o que existe é o que já existia e de que não estão sequer próximos de atingir um acordo. Declarações que da parte da tarde foram contraditas por Trump quando afirmou que estão muito mais próximos de atingir um acordo e que irão mesmo chegar a entendimento, o que permitiu um alívio das quedas que ascendiam a mais de -1% na altura.

No final o Nasdaq foi o que registou a pior performance com uma perda de -1.04%, enquanto que o Dow Jones esteve no lado inverso ao ceder “apenas” -0,43%. Pessimismo este que os non-farm payrolls não conseguiram contrariar, até porque os dados causaram sentimentos contraditórios, pois se o facto de o número de empregos ter saído bem acima do esperado, refreando os receios de um arrefecimento da economia, já o dado sobre os rendimentos confirmou a possibilidade do FED ter de continuar o seu ritmo de tightening, visto que o rendimento por hora dos trabalhadores norte-americanos aumentou 3,1%, quebrando assim a barreira dos 3% pela primeira vez em 9 anos.

De realçar que não obstante os dados com carácter mais hawkish do emprego o U.S dólar não reagiu de sobremaneira, ganhando apenas 0,1% contra um cabaz de outras moedas principais, sendo também curioso que não obstante o dia de vermelho em Wall Street, não se vislumbrou procura por activos refúgio, nem no mercado accionista, nem no Forex, onde o Yen cedeu -0.5% para os 113.25.

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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