Sentimento de Mercado – Cautela volta a dominar o sentimento

Marco Silva

Marco Silva

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Depois da sessão francamente positiva de sexta-feira, os investidores decidiram ontem travar a fundo o optimismo criado pelos bons dados dos non-farm payrolls, num sinal de que a confiança dos Bulls não é por agora similar à que reinou nos últimos dois anos. É certo que existem alguns pontos de cautela para esta semana, como por exemplo os dados sobre a inflação nos EUA, que poderão indicar um valor ligeiramente superior aos 2%, embora as estimativas estejam nos 1,8%, contudo o mercado ainda está “escaldado” com os números acima do previsto registados no mês passado e mesmo que os dados do emprego tenham colocado alguma água na fervura. Mas sem grande entusiasmo dos Bulls os índices norte-americanos vaguearam ao sabor dos receios criados pela incerteza sobre as tarifas alfandegárias impostas por Trump, isto porque ao invés de tal ser um factor positivo para a economia dos EUA, muitos economistas advogam que será o oposto, com um estudo da Bloomberg Economics. a indicar um custo de $470 biliões até 2020 para a economia global, o que indirectamente afectará a maior economia do mundo.
A começar pelo sector industrial, que esteve ontem sobre a maior pressão vendedora com o Dow Jones a ceder -0.62%, vergado pelas quedas dos pesos pesados da indústria como a Boeing, Caterpillar e United Technologies. No S&P500, o sector industrial foi igualmente o que mais perdeu valor, recuando -1,17%, quase três vezes pior que o segundo sector que mais desvalorizou, o da saúde. Mas houve mais riscos a tirar o sorriso da cara dos investidores, nomeadamente a venda de dívida soberana dos EUA prevista para esta semana e que será o maior montante desde 2014, com o mercado algo céptico dada à fraca apetência pelos activos na última fase de vendas. Recordo que para pagar os $1,5 triliões de custo em 10 anos que a reforma fiscal irá provocar nos cofres do Governo norte-americano, o Tesouro tem estado a vender bastante mais dívida, até porque só nos próximos dois anos o buraco adicional será de $300 biliões.
Mais dívida significa quase sempre menor valor na moeda, o que veio ontem a acontecer, com o U.S dólar a perder -0.3% face a um cabaz de outras moedas principais, com o Euro a ganhar 0,3% para os $1.234 enquanto que o Yen amealhou 0,4% para os 106.35. Este movimento da moeda nipónica foi suportado igualmente pelo ruído que se tem gerado à volta do ministro das finanças do Japão, Taro Aso, depois de ter sido conhecida uma manipulação de documentos por parte do seu ministério. Aso é um apoiante da política de estímulos do Primeiro Ministro Shinzo Abe e caso ocorra uma demissão poderá ser substituído por alguém menos dovish.

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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