Sentimento de mercado – Comércio versus semicondutores resulta em sessão mista

Marco Silva

Marco Silva

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Se ainda fossem necessários motivos para qualificar as notícias optimistas da semana passada relativas ao comércio, como pouco fundamentadas, ontem tal ficou clarificado com as declarações do secretário do comércio norte-americano, Wilbur Ross, que afirmou sem grandes equívocos que os dois países estão “a milhas e milhas” de distância de alcançar um acordo, dado que existem ainda “muitos e muitos” temas para resolver. Isto a menos de uma semana da ronda negocial prevista que deverá incluir o vice premier chinês a ocorrer nos EUA, e a pouco mais de um mês da data limite para que a questão fique resolvida, visto que se tal não ocorrer entrará em vigor mais uma vaga de novas tarifas alfandegárias impostas pelos EUA aos produtos importados da China, abrangendo basicamente quase todo o volume importado pelos EUA da segunda maior economia do mundo, o que seria um sério escalar do conflito comercial, com as inevitáveis consequências negativas para o crescimento económico mundial.
Do lado positivo estiveram os earnings, com as empresas de semicondutores Xilinx e Lam Research a baterem as previsões de lucros e de receitas, enquanto que a Texas Instruments se ficou apenas por um nível superior de lucros e receitas ligeiramente inferiores, o que não impediu uma valorização de quase 7% nos títulos da conhecida fabricante de chips e de 5,7% no Philadelphia Semiconductor Index. Igualmente bullish foram os resultados de três importantes empresas de aviação, American Airlines, Southwest Airlines e JetBlue Airways que superaram o consenso dos analistas para os lucros, dados que em conjunto com outros bons earnings da empresa de caminhos de ferro Union Pacific deram um impulso decisivo para a valorização de 1,1% do Dow Jones Transportation index. No final do dia o movimento da sessão acabou por ser algo errático e com ganhos medianos para o Nasdaq e Russell 2000, enquanto que o Dow Jones averbou a única perda do dia, embora que marginal.
No Forex foi uma sessão de queda para o Euro com a perspectiva deixada pelo BCE de que a subida dos juros poderá não ocorrer como o anteriormente previsto, que era no final Verão de 2019, podendo mesmo nem ocorrer este ano, dado que por exemplo a inflação não dá sinais de grandes movimentações altistas. A moeda única acabou por ceder -0.6% para os $1.1309, enquanto que o U.S dólar valorizou 0,3%, regressando assim às subidas após uma pausa que interrompeu uma série da sete dias consecutivos a subir de valor, não obstante a questão do shutdown não ter para já data previsível para terminar, o que já levou a J.P. Morgan a avançar com um crescimento económico de 1,75% no primeiro trimestre deste ano, abaixo dos 2% previstos anteriormente.


A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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