Sentimento de mercado – Emprego dá trabalho aos Touros de Wall Street

Marco Silva

Marco Silva

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Bom, mas que final de ano este no mercado de trabalho norte-americano. É certo que os dados do emprego têm sido o grande pilar do crescimento económico e da valorização de Wall Street, que atingiu sexta-feira novos máximos históricos, devido ao facto de que o trabalho abundante com subida significativa dos rendimentos médios tem funcionado como o catalisador para uma confiança do consumidor, que não dá sinais de abrandar quando mais contrair, mas os números dos non-farm payrolls conhecidos no final da semana passada foram algo surpreendentes. Os 266,000 postos de trabalho criados em Novembro, muito acima dos 180,000 esperados, com revisão positiva dos dados publicados referentes aos dois meses anteriores deram logo um forte contributo para um reforço do optimismo dos investidores, que continuam a apostar num mercado que ao nível da avaliação está bastante mais “esticado” que o normal, ou seja os múltiplos de avaliação estão cerca de 10% acima da média de longo prazo.
A taxa de desemprego manteve-se bastante baixa, nos 3,5%, enquanto que os ganhos por hora subiram 3,1%, ambos resultados muito encorajadores numa altura em que o crescimento económico da economia norte-americana dura há mais de 10 anos, registando assim um recorde de longevidade. Se tivermos em conta as contrariedades que a guerra comercial tem provocado nas empresas mais exportadoras e no sentimento dos empresários, o cenário pintado sexta-feira pelos dados do emprego é ainda mais surpreendente, não obstante um ponto muito importante que também ajudou à “festa”, o facto da força laboral disponível nos EUA ter diminuído para mínimos dos anos 90, o que aliado a uma forte procura das empresas por mão de obra fomentou o binómio de baixo desemprego e aumento dos rendimentos, sendo curioso que estamos a chegar a uma fase muito similar a da pré-bolha das dot.com, onde a força negocial pendia mais para o lado do trabalhador, que nos sector da tecnologia por exemplo trocava de emprego em escassas horas.
Portanto tudo somado foi a disrupção que os Touros precisavam para quebrar a incerteza das últimas semanas, podendo mesmo ser catalisador suficiente para o “rally” de Natal, até porque esta semana será a última com a participação efectiva da maioria dos principais investidores e em termos de eventos temos a reunião do FED, de onde não se esperam novidades relevantes, e os dados das vendas a retalho, onde os analistas apontam para uma recuperação após a quase estagnação do mês anterior. No mercado cambial o Euro fraquejou face ao U.S dólar com uma queda de -0,4% para os $1.106, enquanto que nas matérias-primas o Petróleo beneficiou da decisão dos membros da OPEP e seus aliados, de uma redução extraordinária do corte da produção em 2020, ficando no entanto por confirmar a duração dos cortes e a fiabilidade do acordo, visto que é comum alguns membros do cartel faltarem aos seus compromissos, no que toca a diminuir produção.


A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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