Sentimento de mercado – FED prepara-se para nuvens cinzentas na economia e assusta investidores

Marco Silva

Marco Silva

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Wall street tem uma série de “regras de ouro” ou slogans, que devido à sua ocorrência e fiabilidade não são ignorados pelos investidores mais experientes no mercado. Uma delas é o “comprar no rumor e vender na notícia”, que à primeira vista se parece encaixar no que ocorreu ontem nos índices norte-americanos, isto porque não obstante o presidente da FED, Jerome Powell ter respondido às preces dos Bulls, confirmando uma mentalidade dovish presente nos membros do board da instituição, o certo é que após uma reacção em alta, o sentimento depressa inverteu deixando Wall Street praticamente nos níveis em que transaccionava antes do anúncio das conclusões da reunião de dois dias do banco central norte-americano. Hoje e amanhã se verá a validade deste slogan, até porque existem mais factores a considerar que podem condicionar o movimento do mercado.
Um deles é o facto dos investidores terem ficado com um pé atrás dado que a FED surpreendeu por uma posição ainda mais dovish do que a esperada, não apenas na questão de abrir a porta a não haver sequer subida nos juros em 2020, como no fim da redução do balanço em Setembro, com um corte na diminuição mensal já em Maio, indícios que levaram o mercado a dar 50% de probabilidades num corte dos juros para o início ano que vem, quando essa percentagem era cerca de metade há uma semana. tudo somado causou alguma apreensão visto que até parece que o banco central norte-americano está já em modo de “salvação” do crescimento económico e não numa posição neutral. Outro factor importante foi a declaração de Trump, que confirmou a ideia que referi ontem sobre a possibilidade das tarifas aplicadas pelos EUA à China não serem levantadas aquando de um acordo, mas muito tempo após, quando for confirmada a sua implementação, o que poderá levar à inviabilização do acordo.
Com a perspectiva de juros estáveis com tendência para descerem, a banca foi naturalmente castigada com a pressão vendedora, visto que afecta as margens do negócio, levando o sector a ceder -2,09% no S&P500 e o Dow Jones para o pior desempenho do dia com um recuo de 0,55%, devido as fortes desvalorizações da Goldman Sachs e J.P Morgan. Na Europa o cenário foi ainda mais pessimista, com o Dax30 a perder 1,57% de valor, condicionado pela queda de quase -5% nos títulos da BMW por causa de um aviso na redução dos lucros, enquanto que a Bayer sofreu um mini crash no valor dos seus títulos, que recuaram perto de 10%, devido a um veredicto contra si num tribunal dos EUA que poderá levar a indemnizações na ordem dos $15 mil milhões.
No Forex o dia foi bastante animado com a fraqueza natural do U.S dólar a valer uma desvalorização de -0.5% no “greenback”, o que foi aproveitado pelo Euro para um ganho de 0,7% empurrando assim a moeda única para o valor mais elevado em mais de um mês nos $1.1433. A libra inglesa cedeu -0.5% para os $1.32 num dia em que Theresa May pediu a extensão do prazo para o Brexit até 30 de Junho, com o presidente do Conselho Europeu a indicar que a U.E poderá aceder ao mesmo mas apenas no caso do acordo de saída ser aprovado entretanto, colocando assim May entre a espada e a parede, visto que dada a proximidade das eleições para ao Parlamento Europeu, que se realizam no final de Maio, Bruxelas quer uma clarificação da situação, ou saem já ou ficam pelo menos mais um ano.


A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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