Sentimento de Mercado – Investidores em modo cautela

Marco Silva

Marco Silva

, Actualidade
Com um pouco mais de metade da earnings season completa é já seguro constatar que esta confirma a alteração do sentimento dos investidores nos últimos dois meses, nomeadamente de que nem a melhor época de resultados dos últimos 7 anos consegue fazer renascer a “febre” compradora que vigorou durante 2017 e até ao final de Janeiro. De uma forma resumida a questão reduz-se ao final do período denominado “Goldilocks”, uma expressão que simboliza juros baixos ou que não provocam qualquer alteração ao panorama do consumo e dos custos financeiros, bem como o de uma fase onde a economia cresce com um ímpeto acentuado mas sem que exista uma pressão inflacionista que coloque em causa a continuação dos juros baixos e mantenha os custos salariais a crescer de forma sustentável. Ora foi isto que ocorreu nos últimos anos, com os salários a serem inclusive uma dor de cabeça para o FED por não estarem a subir como expectável tendo em conta o crescimento económico.
Mas nesta fase já algo de significativo mudou, a começar pelo mais relevante para os investidores que é a taxa de juros a 10 anos das obrigações norte-americanas tocar nos 3%, ao que acresce o facto da inflação estar perto dos valores desejados pelo FED e de segundo os dados conhecidos na sexta-feira os rendimentos terem crescido ao maior ritmo dos últimos 11 anos, o que fez soar os alarmes de um possível efeito desse desenvolvimento nos custos das empresas e numa altura em que são várias as que alertaram para tempos no mínimo mais desafiantes no que toca à performance dos lucros. Facto que tem criado um sentimento de “atingimos um tecto”, ficando agora um misto de razões para investir mas também fundamentos para retirar risco de cima da mesa, o que em última análise resulta em dias como os da semana passada, indefinidos, apesar dos bons dados económico-empresariais. No Forex sentiu-se igualmente o efeito de juros mais elevados e de possível intervenção do FED a um sobreaquecimento, com o U.S dólar a atingir máximos de três meses, contudo a força compradora foi sol de pouca duração e a moeda norte-americana acabou a ceder -0.2% contra um cabaz de outras moedas principais, no entanto a Libra inglesa ainda esteve mais fraca e recuou -1% depois dos dados económicos ter revelado o mais fraco crescimento do PIB do Reino Unido dos últimos 5 anos, com o sector da construção a contrair acentuadamente.

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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