Sentimento de Mercado – Novo trimestre, expectativas diferentes

Marco Silva

Marco Silva

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Na análise de dia 24 de Janeiro deste ano referi que “o principal índice tem desde Abril de 2017 encetado canais ascendentes sucessivamente mais agressivos na subida, estando agora num que dificilmente poderá ser mantido por muito mais tempo”, ora passados apenas dois dias o S&P500 estaria a fechar nos máximos históricos, data a partir da qual encetou uma correcção que quebrou o referido canal, atingido território de correcção ao chegar ao nível dos -10% de queda desde os máximos. “Limpou” igualmente os últimos três canais ascendentes ficando o de maior prazo, o que se iniciou em Abril de 2017, como suporte do índice. Ou seja devido à amplitude da subida no final do ano passado e no inicio de 2018 não foi assim tão inesperado o registo final do primeiro trimestre que terminou a semana passada, averbando o S&P500 um recuo de -1.2% para a pior performance trimestral em dois anos, naquele que foi “apenas” o quinto trimestre com perdas desde o inicio do Bull market há nove anos.
Nos últimos dois meses a volatilidade foi o principal player de mercado com o sector tecnológico a ser o principal impulsionador dos movimentos. Foram várias as causas para o comportamento de Wall Street durante este período, políticas, económicas, empresariais e técnicas, com o receio de um movimento de tightening mais célere a dar o tiro de partida, logo após a primeira reunião do FED este ano em finais de Janeiro. O trimestre que agora se inicia será importante para aferir em que fase do mercado nos encontramos, sendo certo que seja qual for o sentido a imprimir pelos investidores que o trajecto bullish do ano passado ficou para trás. Algumas casas de investimento importantes já alertaram para tempos mais complicados para os Bulls, a última a dar opinião foi o Bank of America, na pessoa do seu global chief FICC technical strategist, que referiu a possibilidade do segundo trimestre ser tão turbulento como o primeiro, colocando o mercado a caminho do centro da tempestade, com a perspectiva de deterioração das condições financeiras nos EUA, nomeadamente na subida da taxa de juro da dívida soberana norte-americana a 10 anos.
Seja como for e ao contrário dos últimos trimestres a cautela será a melhor mentalidade para se ter nesta fase de incerteza, não apenas no mercado accionista mas também no Forex, com algumas variáveis importantes que podem causar forte “agitação” nas águas do mercado cambial, sejam elas notícias vindas dos EUA, Europa ou China. Realço a recuperação nos últimos 90 dias do Yen no par USD/JPY, indicador de que existiu procura acima da média por parte dos que compraram activos refúgio.

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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