Sentimento de mercado – O império contra ataca, ou como desaparecem $1,1 triliões

Marco Silva

Marco Silva

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É caso para dizer que as indicações dadas na sexta-feira passada pelos activos refúgio acertaram em cheio no que acabou por ocorrer na sessão de segunda-feira, isto porque tal realcei na análise de ontem, o facto dos activos mais procurados por quem se quer proteger de tempos turbulentos e de quedas, como as utilities, imobiliárias e retalhistas de produtos essenciais, terem sido as que mais valorizaram num dia em que os índices terminaram todos positivos, depois de uma forte recuperação, deixava antever um dia negro a iniciar esta semana. Bom, e na realidade com quedas que oscilaram entre os -2.38% no Dow Jones e os -3.41% no Nasdaq, o vermelho foi certamente a cor dominante na pior performance para os índices norte-americanos, como não se verificava há pelo menos cinco meses.
Isto porque após as novas tarifas impostas por Trump a cerca de metade das importações vindas da China, e de este ter avisado para que o país asiático não retaliasse, não demorou muito tempo até que, como era esperado e tinha sido pré-anunciado pelos responsáveis chineses a semana passada, a China tivesse contra atacado com uma subida de tarifas para os 25%, sobre cerca de $60 mil milhões de produtos made in EUA. Decisão que para além de agravar a crispação efectiva do conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo, colocou os investidores em alerta para a efectivação da última ameaça do presidente norte-americano, estender as tarifas de 25% a todas as importações, algo que Trump afirmou segunda-feira ainda não ter decidido se ou quando tal irá ocorrer.
Ao contrário do registado sete dias antes e na sexta-feira, ontem Wall Street não teve qualquer espaço para recuperação, com uma sessão toda ela no vermelho e com uma ligeira tendência negativa que elevou para cerca de $1,1 trilião o valor de capitalização perdido pelo S&P500, no espaço de uma semana, com a nota de novo para a performance mais positiva dos activos refúgio, tanto no mercado accionista, onde as utilities valorizaram 1.11%, como no mercado cambial, com o Yen a ganhar 0.6%, o que tendo em conta o comportamento do mercado acabou por ser natural e não uma divergência indicativa de uma surpresa para hoje.
Nas commodities o WTI crude perdeu -1,4% para os $60.81 por barril, devido ao receio de um arrefecimento da procura, em consequência das tensões comerciais e não obstante o conflito diplomático existente entre o Irão e os EUA. Já o Ouro também beneficiou com a procura por activos refúgio e amealhou 1% para os $1,300 por onça, empurrando o seu valor para o máximo das últimas oito semanas. 

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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