Sentimento de Mercado – Risco de guerra comercial condiciona

Marco Silva

Marco Silva

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Sem notícias económico-empresariais relevantes os investidores continuaram ontem a exercer cautela, levando a um dia misto em Wall Street, enquanto esperam pela reunião do FED da próxima semana, isto porque o ruído à volta da possibilidade dos EUA intensificarem as medidas proteccionistas começa a ganhar mais significado. Depois das tarifas alfandegárias impostas à importação de aço e de alumínio, ao veto da compra da Qualcomm pela Broadcom e da escolha de dois adeptos do proteccionismo para substituir as mais recentes demissões na administração de Trump, fala-se agora que o presidente norte-americano pretende impor tarifas em cerca de $30 biliões de produtos importados da China, para além disso é agora claro que uma das pretensões é restringir o roubo de propriedade intelectual às empresas dos EUA por parte da China, bem como impedir um reforço do crescimento dos pesos pesados chineses nas àreas da novas tecnologias. Um passo que poderá ter um impacto prejudicial para o comércio mundial, fomentado a inversão da tendência de globalização das últimas décadas.
Outro ponto muito importante prende-se com o facto da economia chinesa estar hoje num estágio muito diferente do que existia há 10 anos, hoje a aposta na inovação e nas novas tecnologias, aliado ao forte crescimento na educação de cidadãos com competências, leva a que a China tenha deixado de ser a fotocópia do mundo, para lutar por um lugar no topo das economias com tecnologias mais avançadas, beneficiando em alguns sectores do menor bloqueio ao progresso devido à menor carga de regulação existente, como acontece na saúde na area da investigação genética por exemplo. Recordo que há poucos dias foi aprovada uma alteração que permitirá ao Presidente chinês em exercício a ocupação do cargo por tempo indeterminado, o que lhe dá uma estabilidade muito superior à de qualquer outro líder na implementação de estratégias políticas. “Bottom-line” uma guerra comercial dificilmente seria ganha por um dos lados, tal como referiu ontem a presidente do FMI, Christine Lagarde.
Os próximos tempos dirão se esse risco se agudiza ou se as medidas proteccionistas serão apenas superficiais, contudo é nesta fase o que mais preocupa os investidores e o que tem estado a impedir os Bulls de tomarem de novo as rédeas do mercado.
No Forex o dia foi igualmente agitado e o U.S Dólar valorizou 0,5% contra um cabaz de outras moedas principais, “empurrando” o Euro para uma queda de -0.5%, com a moeda única a terminar nos $1.2301.

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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