Sentimento de mercado – Semana atribulada em Wall Street baralha as voltas aos Touros

Marco Silva

Marco Silva

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Depois da queda na segunda-feira e com uma sessão de terça-feira sem grande história para terminar 2019, Wall Street começou o ano da melhor maneira para os Touros, ao averbar uma subida razoável que colocou os índices norte-americanos em novos máximos históricos, muito por causa da notícia sobre os estímulos de $115 biliões que a China anunciou para a sua economia, nomeadamente para o sector financeiro. Contudo a notícia do ataque dos EUA que vitimou um general iraniano, a promessa de retaliação por parte do Irão e os dados desapontantes da actividade manufactureira destroçaram o optimismo que prometia acrescentar mais uns pozinhos aos níveis estratosféricos do mercado norte-americano.
Mas apesar da cautela que dominou na sessão de sexta-feira e que levou à procura por activos refúgio, os únicos sectores a conseguirem escapar ao vermelho, os motivos que levaram ao pessimismo não deverão passar de um incidente sem grande desenvolvimento. Se no tópico da geopolítica a acção militar ordenada por Trump pode ser uma surpresa, não é de menosprezar o facto de termos entrado em ano de eleições presidenciais nos EUA e não deixa de ser curioso que o presidente norte-americano em exercício acusou, em 2011 e 2012, Barack Obama de querer iniciar uma guerra contra o Irão para ser reeleito. Seja coincidência ou golpe de propaganda, o clima de crispação entre os EUA e o Irão não deverá transbordar para algo muito mais grave, agravando-se apenas as relações pouco amistosas que já existam entre os países, especialmente após Trump ter sido eleito e ter “rasgado” o acordo sobre o tema do nuclear, alcançado por Obama.
Já os números do Institute for Supply Management, que revelaram a maior contracção da actividade manufactureira dos últimos dez anos na maior economia do mundial, não são uma surpresa, dado que a tendência dos últimos meses tem sido essa. A questão é que apesar de ser um sector importante, é a parte da economia mais exposta às consequências negativas da guerra comercial, mas não emprega mais que 8.5% da força de trabalho dos EUA, e é no mercado de trabalho que todos os olhos estão postos neste momento, porque tem sido o bastião do crescimento económico. Por fim, não se pode dissociar o facto de que caso a economia dê sinais de fraquejar é quase certo que o FED vai intervir reduzindo juros e muito provavelmente criando mais um Quantitative Easing formal, visto que os $400 biliões que injectou recentemente no sistema por causa da falta de liquidez no mercado das REPO, não tem sido qualificado como tal.
Esta semana é de esperar que o ruído no mercado comece a conter alguma componente sobre a earning season que se aproxima e que é importante para aferir como foi quarto trimestre de 2019, bem como as perspectivas das empresas para o início de 2020.

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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