Sentimento de Mercado – Trump inspira cautela em Wall Street

Marco Silva

Marco Silva

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No período de férias que agora termina o sentimento foi condicionado essencialmente por dois factores, a earnings season que bateu as expectativas, já de si bastante optimistas, que empurrou Wall Street para novos máximos históricos, e o tema da guerra comercial. Este último nas últimas semanas tem-se caracterizado por uma instabilidade de sentimento, nem o optimismo ou o pessimismo duram muito tempo, por vezes só mesmo uma sessão. Ontem depois do acordo com o México e das perspectivas de outro com o Canadá, que forneceram esperança aos investidores de um abrandar do conflito comercial que os EUA têm com as principais economias do mundo, Trump voltou a estar no centro do movimento do mercado, isto porque uma notícia da Bloomberg referiu a intenção do presidente norte-americano em implementar novas tarifas alfandegárias já na próxima semana a $200 biliões de produtos importados da China pela maior economia do mundo, no mesmo dia em que o porta voz do ministério do comércio chinês ter dito que as negociações devem ser baseadas na equidade.

Para piorar o sentimento e já depois do mercado encerrar foi conhecido numa entrevista que deu à Bloomberg que Trump referiu de novo a intenção de retirar os EUA da Organização Mundial do Comércio se esta não se “endireitar”, segundo as palavras do próprio. De pouco valeu a Wall Street a afirmação da comissária europeia para o comércio que anunciou durante o dia uma abolição de tarifas nos bens industriais importados dos EUA pela U.E, caso os EUA façam o mesmo aos produtos importados da U.E. A restringir a pressão compradora esteve igualmente um movimento de procura por activos refúgio antes de um fim de semana prolongado devido ao feriado do dia do trabalhador na segunda-feira.

Sem grande surpresa dado os motivos para o dia de vermelho, o Dow Jones foi o que mais cedeu terreno pressionado pelas grandes exportadoras, como foi o caso da Caterpillar que registou a maior queda do índice. Por outro lado a apetência por segurança levou a uma procura pela moeda-norte americana e pelo Yen, que as puxou para ganhos de 0,2% e 0,6% respectivamente, já o ouro, que tem estado fora do pacote de activos refúgio cedeu -0.5% para os $1,200.5 por onça. No Forex destaque para o “crash” do peso Argentino após o banco central da Argentina ter elevado a taxa de juro para os 60%, a mais elevada no mundo, com o intuito de estancar a desvalorização da moeda local, o que não conseguiu, pois a mesma acabou por deslizar 12% averbando uma perda superior a -53% só este ano em relação ao U.S dólar, uma performance pior que a da Lira turca, esta instabilidade poderá criar alguma incerteza nas economias dos países vizinhos, nomeadamente no Brasil que é o principal parceiro comercial da Argentina. Para hoje é de esperar algumas movimentações de final de mês, que podem levar a um aumento da volatilidade.

A análise ao sentimento de mercado é patrocinada por Activtrades

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