Setor segurador acredita que há mercado para crescer em Portugal

Agência Lusa

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Responsáveis e estudiosos do setor segurador consideraram que este mercado pode crescer em Portugal, já que os portugueses estão menos protegidos por seguros do que a população europeia, mas avisaram que as seguradoras têm de se adaptar.

Segundo o presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), José Almaça, o mercado segurador português “tem espaço de desenvolvimento significativo”, recordando que o índice de penetração de seguros em Portugal continua abaixo da média europeia.

O responsável do regulador dos seguros afirmou, durante a conferência Portugal Seguro, em Lisboa, que a produção do ramo vida continua demasiado ligado à produção de crédito à habitação – devido aos seguros de vida que bancos exigem – e à existência de benefícios fiscais à constituição de poupanças.

Já o ramo não-vida continua “dominado pelos seguros obrigatórios”, afirmou, referindo-se aos seguros de acidentes de trabalho e aos seguros automóvel.

Já o economista José António Mendes Ribeiro destacou o crescimento dos seguros de saúde, que abrange 2,5 milhões de residentes em Portugal (900 mil com seguro individual e restantes seguros ‘coletivos’, como os atribuídos por empresas) e que gera prémios de cerca de 700 milhões de euros anuais, e que acredita que vai continuar.

“Quando comecei a trabalhar, os seguros de doença não eram o primeiro produto que seguradoras estavam interessadas em desenvolver. Hoje, tem sido o motor do crescimento da atividade no ramo não-vida, vale um terço da produção e em crescimento contínuo”, afirmou o economista, que tem trabalhado na gestão de unidades hospitalares (públicas e privadas) e foi adjunto do ministro da Saúde do Governo de Durão Barroso.

Mendes Ribeiro considerou ainda que os seguros de saúde (ou seguros de doença) ajudaram “à dinâmica” e “grande qualidade” que atualmente têm os hospitais e clínicas privadas.

Questionado sobre se essa dinâmica de hospitais privados se deve aos seguros de saúde privados ou ao sub-sistema público de saúde ADSE, considerou que se deve sobretudo aos seguros de saúde, uma vez que, apesar de a ADSE ter cerca de 1,3 milhões de beneficiários, esta “liberta margens muito pequenas”.

Já a economista Margarida Correia de Aguiar considerou que o “setor está atrofiado” no que respeita à constituição de poupanças privadas, referindo que apenas 6% da população está coberta por sistemas privados de poupança (seja fundos de pensões de empresas, até porque cada vez menos empresas que promovem planos de pensões para trabalhadores ou outros planos de poupança completamente individuais, como PPR).

“Falta um produto que tenha capacidade para ser complementar à pensão pública, disse a ex-secretária de Estado da Segurança Social de Durão Barroso, que tem feito trabalho académico na área de sistemas de pensões.

Já o economista Vítor Bento levantou a questão da elevada quantidade de dados trazida pela evolução tecnológica (‘big data’) e como isso pode impactar os seguros de saúde, referindo que é necessário o campo político estar atento ou o acesso a dados dos segurados levará a que “só saudáveis façam seguro de saúde”.

Por fim, o presidente da Fidelidade, a maior seguradora em Portugal, considerou hoje que o setor está perante grandes mudanças tecnológicas, desde logo porque já não tem a exclusividade da medição do risco, mas também perante mudanças sociais, desde logo porque opera numa sociedade com uma população mais envelhecida e com necessidades mais complexas.

Ainda assim, considerou que o setor tem grandes oportunidades pela frente: “As oportunidades do setor são enormes e pode permitir que ocupe para cidadãos o lugar central que banca ocupou no passado”.

Para o responsável daquela que é a maior seguradora em Portugal, o setor tem de saber pôr os consumidores a perceber a necessidade de terem produtos de poupança.

IM // ARA

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