A situação política e económica da Europa – O mesmo olhar, duas visões distintas

Tiago Esteves
As eleições do passado domingo na França e na Grécia poderão ter representado um marco na actual situação económica da Europa. Positivo ou negativo? Eis a verdadeira questão, cuja resposta depende das motivações de cada observador.

Enquanto trabalhador por conta de outrem, encaro a mudança à Esquerda por parte de uma das principais economias Europeias com regozijo. Certamente existirá daqui em diante uma menor pressão sobre o nó que abraça as gargantas de milhões de funcionários públicos pelos diversos países da zona Euro. Ninguém acredita que a austeridade cessará, mas tenderá certamente a abrandar o ritmo galopante dos últimos meses.

Enquanto investidor, esta mudança preocupa-me. Ao contrário do que por vezes se quer fazer parecer, os direitos dos trabalhadores são inversamente proporcionais ao lucro das empresas. Não poderia (?) ser de outra forma, tendo em conta que o custo dos trabalhadores representa uma das facturas mais pesadas no balanço da maioria das empresas.
Muitos outros investidores pensarão de forma semelhante, e começarão a encarar estas mudanças como uma subtracção nos resultados das empresas que ganharam com a crise. Mas terão sido assim tantas a ganhar com a crise e com a austeridade? Se menos direitos representam poupança com salários, também representam diminuição do poder de compra e quebras avultadas nas empresas dependentes da venda de produtos e serviços. E, por este prisma, a aposta no investimento até poderia ser economicamente atractiva no médio/longo prazo!

Afinal, o que nos traz esta mudança em França? Traz, em primeiro lugar, alguma esperança. E a esperança pode mover montanhas, tal como a motivação e a valorização (conceitos que caíram em desuso, ou nunca chegaram a ser convenientemente usados, e que poderiam ajudar a responder à subtil interrogação anteriormente levantada). Trará também alguma moderação nas manobras austeras planeadas pelo eixo Merkosy. E se não existiam certezas sobre a eficácia de austeridade pura e dura, o tempo foi-nos mostrando que de facto é necessário algo mais, alguma suavidade, algum investimento no meio dos golpes erráticos. O meu receio é que a senhora Merkel caia também (receio e desejo, que já ninguém pode com ela), transformando-se a Europa economicista numa Europa demasiado socialista e voltando-se aos excessos do passado, que nos trouxeram ao ponto onde actualmente nos encontramos.

Seja como for, é necessário que se mude algo! Passe-se então ao Plano B, que as cobaias estão já realinhadas…
(Continua)

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